Lençóis Paulista - Tanto o presidente do Diretório Municipal do PMDB, José Carlos do Amaral, como o presidente do PSDB, Marcos Lini, evitaram comentar a decisão do prefeito José Antônio Marise. Ambos disseram à reportagem que só irão se pronunciar quando o prefeito oficializar sua mudança para o PSDB.
“Eu ainda não recebi nenhuma comunicação oficial do prefeito pedindo sua transferência. A partir do momento que ele se transferir de fato, aí eu tenho um discurso a fazerâ€, revelou Amaral. Ele informou ainda que o prefeito falou de sua intenção há cerca de três meses, mas até agora nada teria sido feito de concreto.
De acordo com Amaral, se a pretensão do prefeito for confirmada, o PMDB local não irá se opor. “Não temos nada contra o posicionamento dele, mesmo porque de nada adiantariaâ€, disse.
O fato do prefeito Marise ter dito publicamente que vai apoiar o governador Geraldo Alckmin, em detrimento a Orestes Quércia, provável candidato do PMDB ao Governo do Estado, tem uma explicação plausível, na opinião de Amaral. O motivo, segundo ele, seriam as “verbas que o prefeito está precisandoâ€.
Mesmo não reprovando, pelo menos publicamente, a decisão do prefeito em trocar de partido, o presidente do diretório do PMDB se disse favorável à fidelidade partidária e apresentou o motivo: “eu sou favorável para que o eleitor seja respeitadoâ€.
Na opinião dele, enquanto a reforma político-partidária, onde está inserida a exigência da fidelidade, não for aprovada, esse troca-troca de partidos vai continuar.
A reforma tramita no Congresso há mais de três anos. Um de seus aspectos mais importantes é a questão da fidelidade partidária, considerada como indispensável para o fortalecimento das instituições políticas. Há várias propostas em tramitação.
Entre elas estão a que proíbe a mudança de partido em um determinado período e a que determina a perda do mandato para todos os cargos e em todos os níveis (municipal, estadual e federal).
Na verdade, o que os defensores da reforma querem deixar claro, no caso específico da fidelidade partidária, é que o mandato pertence ao partido e não ao candidato eleito.
Naturalidade
Para o presidente do Diretório Municipal do PSDB, Marcos Lini, a transferência de Marise para o partido está sendo encarada com naturalidade. Durante conversa por telefone com a reportagem, ele demonstrou não estar muito à vontade com a chegada do prefeito. “Eu não tenho nada contra, mas prefiro aguardar até que ele assine a ficha de filiação para depois comentarâ€, falou Lini.
Segundo ele, há muito tempo vem se cogitando a possibilidade dessa transferência, mas até o momento o diretório não teria recebido “nada de concretoâ€. “Não tenho dúvidas de que (Marise) é um político de peso. Ele viria para somar, mas por enquanto não tem nada definido aindaâ€, informou.
Sobre a reação dos demais filiados ao partido, diante da decisão do prefeito, Marcos Lini disse que não pode responder por eles. Informalmente, a adesão de Marise estaria desagradando alguns tucanos da cidade, em especial o ex-coordenador da Saúde (1993/96), José Rubens Pietraróia, considerado arqui-rival do atual prefeito. No entanto, os descontentes formariam a minoria dentro do partido.
A exemplo do presidente do PMDB, Marcos Lini está esperando a oficialização da mudança de Marise para o PSDB para comentar mais detalhadamente o assunto.