Li a notícia no Jornal da Cidade de que o Executivo de Bauru mandou um projeto de lei para a Câmara aprovar, cortando as faltas dos servidores, ou melhor, suas licenças de saúde. Como servidora inativa que sou e após ter trabalhado tantos anos a serviço do Município, na área da educação, fiquei a pensar e me deparei com uma situação problema. Ainda hoje, estudando Giroux, em seu livro Os professores como intelectuais, pude retomar as idéias iniciais que esta notícia gerou em mim e procurei estudar esta questão utilizando-me do conceito de referência. Segundo o sistema de referência da administração, os servidores, com seu grande número de licenças, dão um desfalque no Município, e para acabar com o problema, a administração utiliza-se de uma lei.
Diferentemente, olhando por outro sistema de referência, o do empregado, verifiquei no Jornal, a resposta revoltada dos trabalhadores que estão reivindicando seu sistema de saúde, extinto de forma arbitrária e dizendo que se há tantas faltas é por estarem com a saúde abalada. Se pudermos analisar a questão com os olhos e o pensar da classe médica, vamos nos dar conta da falta de ética e arbitrariedade, que esta lei imprime. Poderíamos analisar esta notícia também pelos pontos de referências da Nação, da escassez de alimentação, do salário irrisório e aí por diante.
Existiriam outros referenciais? Certamente que sim! Que tal, se a proposta do prefeito fosse um projeto de lei dando um prêmio para aqueles servidores que menos faltassem? Certamente só faltariam os doentes e necessitados. Se olharmos esta alternativa sobre a ótica destes servidores, os veríamos duplamente castigados: doentes e sem o prêmio. Tudo é uma questão do ponto de referência. Cabe aos vereadores continuarem esta análise, procurando ampliá-la ao máximo, olhando-a sob os mais diversos ângulos; da administração, do trabalhador, dos médicos, do Legislativo, da ética...enfim, como disse Paulo Freire “somente quando compreendem os temas de seus tempos é que os homens... podem intervir na realidade em vez de serem meros expectadores. E somente desenvolvendo uma atitude permanentemente crítica é que os homens poderão superar uma postura de ajustamento...†(Leila Arruda- R.G. 4.824.989)