Os delegados Eron Veríssimo Gimenes, de Agudos, e Georges Zedan Chehade, de Manduri, negaram ontem qualquer indício de participação em prática de tortura contra Gonçalo Laurindo dos Santos.
Chehade afirmou que após sua chegada à delegacia de Iaras, por volta das 22h30, “ninguém encostou a mão em Santosâ€. Segundo ele, se houve algum tipo de agressão foi antes dele chegar à cidade. Mesmo assim, antes de darem entrada na cadeia pública de Piraju, todos os indiciados teriam passado por exames de corpo de delito, e nada de anormal teria sido registrado.
Ele estranhou as declarações feitas ontem pelo advogado Juvelino José Strozake. De acordo com Chehade, Strozake era um dos quatro advogados do MST que estavam na delegacia, no momento da prisão dos sem-terra, e nenhum deles teria se manifestado contra qualquer tipo de agressão física contra Santos. â€œÉ estranho que ele venha falar disso só agoraâ€, desconfiou o delegado.
Chehade é delegado titular de Manduri e só participou da prisão dos sem-terra, em Iaras, porque o delegado titular da cidade não pôde comparecer.
Eron também negou qualquer envolvimento nas supostas agressões contra Santos. Ele revelou que somente compareceu à delegacia de Iaras para tentar esclarecer outros crimes cometidos recentemente em Agudos.
O delegado disse que todo o procedimento dele junto aos acusados teria sido feito perante dois advogados dos sem-terra. Os acampados em Iaras são suspeitos de terem participado de furtos de gado, de porcos e de incendiar cinco veículos na fazenda Lagoa Rica, em Agudos.
“Se eles estão me acusando (de participação em tortura), vão ter que provar isso e vão responder na Justiça por danos moraisâ€, ameaçou o delegado.
Ato de protesto
Os coordenadores do MST estarão realizando hoje, em Iaras, a partir das 11 horas, um ato pela paz e pela reforma agrária. Segundo eles, a intenção é protestar contra a repressão que os sem-terra vêm sofrendo ultimamente, não só na região, mas em todo o País.