08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

O vestido azul

Professora Eliane Nora Bittencourt
| Tempo de leitura: 3 min

Outro dia estava a procurar um site na internet, onde houvesse informações sobre trabalhos comunitários e encontrei o texto abaixo. Por achar que vem de encontro com situação, não só de Bauru, mas de todo o País, resolvi enviá-lo a esta coluna para divulgação. Espero que ele venha não solucionar, mas mostrar o caminho para a solução, que a licença poética deste nos mostre que há uma luz no fim do túnel. Num bairro pobre de uma cidade distante, morava uma garotinha muito bonita. Ela freqüentava a escola local. Sua mãe não tinha muito cuidado e a criança quase sempre se apresentava suja. Suas roupas eram muito velhas e maltratadas. O professor ficou penalizado com a situação da menina. “Como é que uma menina tão bonita pode vir para a escola tão mal arrumada?”. Separou algum dinheiro do seu salário e, embora com dificuldade, resolveu lhe comprar um vestido novo. Ela ficou linda no vestido azul.

Quando a mãe viu a filha naquele lindo vestido azul, sentiu que era lamentável que sua filha, vestindo aquele traje novo fosse tão suja para a escola. Por isso, passou a lhe dar banho todos os dias, pentear seus cabelos, cortar suas unhas. Quando acabou a semana, o pai falou: “mulher, você não acha uma vergonha que nossa filha sendo tão linda e bem arrumada, more em um lugar como este caindo aos pedaços? Que tal você ajeitar a casa? Nas horas vagas, eu vou dar uma pintura nas paredes, consertar a cerca e plantar um jardim. Logo mais a casa se destacava na pequena vila pela beleza das flores que enchiam o jardim, e o cuidado de todos os detalhes. Os vizinhos ficaram envergonhados por morar em barracos feios e resolveram também arrumar as suas casas, plantar flores, usar pintura e criatividade. Em pouco tempo, o bairro todo estava transformado.

Um homem que acompanhava os esforços e as lutas daquela gente, pensou que eles bem mereciam o auxílio das autoridades. Foi ao prefeito expor suas idéias e saiu de lá com autorização para formar uma comissão para estudar os melhoramentos que seriam necessários ao bairro. A rua de barro e lama foi substituída por asfalto e calçadas de pedra. Os esgotos a céu aberto foram canalizados e o bairro ganhou ares de cidadania. E tudo começou com um vestido azul. Não era intenção daquele professor consertar toda a rua, nem criar um organismo que socorresse o bairro. Ele fez o que podia, deu a sua parte. Fez o primeiro movimento que acabou fazendo com que outras pessoas se motivassem a lutar por melhorias. Será que cada um de nós está fazendo a sua parte no lugar em que vive? Por acaso somos daqueles que somente apontamos os buracos nas ruas, as crianças à solta sem escola e a violência no trânsito? Lembremos que é difícil mudar o estado natural das coisas. Que é difícil limpar a rua toda, mas é fácil varrer a nossa calçada. (Professora Eliane Nora Bittencourt - RG 18.813.426)