Itapuí - A mulher e os três filhos menores do empresário Luís Roberto de Souza, de Itapuí, foram as primeiras vítimas de seqüestro da região de Jaú, este ano. Eles ficaram cerca de 18 horas com os seqüestradores e só foram libertados após o pagamento do resgate, feito na tarde de ontem.
O caso vinha sendo mantido em sigilo pela polícia Civil, responsável pela negociação. Ontem, após a libertação das vítimas, as informações foram liberadas com uma dose de restrições, segundo a polícia, para não prejudicar as investigações e dar tranqüilidade à família que sofreu um trauma.
O seqüestro aconteceu por volta das 23 horas de anteontem na cidade de Itapuí. A mulher e os três filhos do empresário, com 9, 5 e 3 anos estavam em casa quando os seqüestradores chegaram. O endereço e o número de homens não foram divulgados pela polícia. Eles estariam à procura de jóias. Após roubar as jóias, os ladrões resolveram levar o carro da família e para garantir a segurança deles, levaram as quatro pessoas como reféns.
Pouco depois do roubo, os ladrões teriam passado a ligar para o empresário exigindo o pagamento de resgate para libertar as vítimas. Segundo o delegado Benedito Antônio Valencise, da Seccional de Jaú, a quantia solicitada é “altíssimaâ€, porém, ele não revelou quanto foi pedido.
O empresário não dispunha de todo o dinheiro exigido e teria recorrido a amigos e familiares. Ontem, o pagamento foi feito, no início da tarde e por volta das 18 horas, a mulher e as crianças foram libertadas, ilesas, na cidade de Ibitinga.
Preocupação com a vida
O sequëstro da família do empresário foi tratado com sigilo pela polícia Civil para preservar a integridade física e emocional da família, disse o delegado que comandou as negociações, Benedito Antônio Valencise. De acordo com ele, a Seccional de Jaú contou com o apoio do Grupo Especial de Resgate (GER) de Bauru, comandado pelo delegado, J.J.Cardia.
Valencise fez questão de frisar que a quantia paga pelo resgate foi altíssima e que não pretende divulgar para não incentivar marginais. “Nossa preocupação é com a vida das pessoas que vivem no Interior Paulista.â€
“Foi um caso de roubo que acabou se tornando um seqüestro. Os ladrões levaram as jóias e o carro da família e aproveitaram para pedir o resgate. Conseguimos resolver o caso sem maiores danos, apesar do constrangimento da mulher e das crianças que ficaram com os seqüestradores desde a noite de terça-feira até a tarde de hoje (ontem)â€.
O delegado promete ser rigoroso nas investigações e por isso, mantém outras informações sob sigilo. “Vamos apurar o caso com extremo rigor. Temos que admitir que a violência está chegando ao Interiorâ€.
Seqüestro já causou uma morte na região
Em setembro do ano passado, um outro caso de seqüestro na região teve um saldo trágico. Terezinha de Oliveira Martini, 65 anos, ficou em cativeiro por uma semana. Ela foi solta de madrugada, em São Paulo, logo após a família ter pago o resgate.
No dia em que foi levada pelos seqüestradores, o marido de Terezinha, José Martini, 68 anos, então dono do Posto e Restaurante Rodoserv, que fica no km 198 da rodovia Castelo Branco, em Pardinho, morreu. Ele não teria resistido ao impacto emocional de ver a esposa sendo feita refém.