Iaras - O capitão César Augusto Luciano Franco Moreli, comandante da 3ª Companhia da Polícia Militar de Avaré, reprovou ontem a denúncia de tortura contra policiais de Iaras. Ele disse que as informações do sem-terra Gonçalo Laurindo dos Santos, mais conhecido como Índio, foram passadas de forma espontânea e não “à forçaâ€, como alegam seus defensores.
A acusação de tortura foi feita anteontem por integrantes da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST).
Durante entrevista coletiva, na subsede da Central Única dos Trabalhadores (CUT), em Bauru, eles acusaram policiais civis e militares de terem torturado o sem-terra. Os denunciantes sustentam que Santos teria sido forçado, mediante agressão física e ameaças de morte, a “entregar†companheiros do acampamento Zumbi dos Palmares, em Iaras.
Santos foi preso no último dia 27, depois de ter disparado cinco vezes contra Manoel Alves de Mesquita, outro sem-terra do acampamento.
Para o capitão Moreli, a denúncia de tortura é improcedente e não passa de um “truque†para tentar desqualificar a prisão de seis integrantes do MST.
Depois que foi detido, Santos teria informado à polícia que a morte de Mesquita havia sido encomendada por três líderes do acampamento. Os policiais foram atrás dos supostos mandantes e encontraram com eles e mais dois acampados nove armas de fogo - cinco revólveres, calibre 38, e quatro espingardas.
Santos foi preso por tentativa de homicídio e os demais por porte ilegal de armas e formação de quadrilha. Todos continuam presos na cadeia pública de Piraju.
De acordo com o capitão, a confissão de Santos teria acontecido de forma espontânea. “Quando a polícia chegou (ao acampamento), ele (Santos) decidiu cooperar espontaneamenteâ€, disse o comandante, referindo-se às informações dadas pelo acusado à polícia.
“Não houve nenhuma sessão de tortura ou coisa parecida para que ele pudesse entregar os companheirosâ€, afirmou o militar. Segundo ele, nesse tipo de ocorrência a polícia sempre toma certos cuidados, que serviriam exatamente para se prevenir de denúncias como a que foi feita anteontem.
“Se a polícia não se resguardasse, (a denúncia) até poderia dar certo. Mas o delegado de plantão fez exame de corpo de delito em todos os detidos e não ficou constatado nenhuma agressão físicaâ€, disse o capitão. O delegado citado pelo militar é Georges Zedan Chehade, titular de Manduri. Ele também negou que Santos tivesse sido torturado pela polícia.
“Eu acredito que essa denúncia é uma atitude de desespero para tentar descaracterizar a prisão. É apenas um truqueâ€, comentou Moreli.
Além de Santos, estão presos em Piraju Miguel da Luz Serpa, José Carlos Pio, Daniel Costa de Albuquerque, José Cristiano Pereira e Francisco da Silva. Eles são considerados suspeitos em alguns crimes cometidos recentemente na região, como furto de gado, por exemplo.
De acordo com uma carta aberta à população distribuída por integrantes do MST, as constantes acusações contra os sem-terra seriam “fruto de perseguição políticaâ€.