10 de julho de 2026
Polícia

Cheque frio faz estelionato aumentar 21%

Redação
| Tempo de leitura: 5 min

O número de casos de estelionato em Bauru e mais 18 cidades da região aumentou mais de 21% no ano passado. Segundo dados da Delegacia Seccional de Polícia Geral, foram 789 denúncias em 2001, contra 651 em 2000.

Comparando os meses de dezembro dos dois anos, foram registrados 41 estelionatos em 2000. Já no mesmo mês do ano passado, foram 87 casos, um aumento de mais de 112%.

Estes dados incluem as cidades de Bauru, Agudos, Arealva, Avaí, Balbinos, Borebi, Cabrália Paulista, Duartina, Iacanga, Lençóis Paulista, Lucianópolis, Macatuba, Paulistana, Pederneiras, Pirajuí, Piratininga, Presidente Alves, Reginópolis e Ubirajara.

Os números de janeiro de 2002 ainda não foram computados pela Seccional. Porém, somente nos últimos 30 dias, foram publicadas no Jornal da Cidade nove matérias com casos de estelionato.

De acordo com o delegado do 3.º DP, Carlos Creppe Júnior, a ganância e a ingenuidade é que fazem com que as pessoas continuem caindo em golpes. “Deve-se desconfiar sempre de oferecimento de vantagens repentinas e inesperadas.”

Marcelo Hadadd, que também é delegado do 3.o DP, explica que os casos mais comuns de estelionato (artigo 171 do Código Penal), são os cheques sem fundo e os golpes do “bilhete premiado”, da ação contemplada e da perda de documentos. â€œÉ muito comum também pessoas que têm contas correntes já encerradas e continuam soltando cheques”, conta Hadad.

Bilhete premiado

Um dos golpes mais comuns, o “falso bilhete premiado” ainda hoje é dos mais praticados e que continua dando grande rendimentos aos estelionatários. Na maioria dos casos, as vítimas são pessoas idosas, com mais de 60 anos, que são abordadas em lugares movimentados, como portas de agências bancárias ou supermercado. “Tem muita gente que recebe o salário e vai fazer compras com ele todo na carteira. O golpista vê e acha ali a sua vítima”, alerta o delegado Creppe.

Para o golpe, os estelionatários adulteram o bilhete de loteria, ou fazem uma aposta nos números sorteados anteriormente para o sorteio seguinte, contando com a falta de atenção da vítima para convencê-la de que aqueles são os números premiados.

Geralmente, os golpistas, de ambos os sexos, agem em duplas ou em trios. Um deles se passa por uma pessoa sem instrução, com roupas simples, pedindo ajuda pois está com dificuldades em receber seu prêmio. Quando a vítima se propõe a ajudar, indo até uma casa lotérica, outro golpista se aproxima e afirma que aquele bilhete está realmente premiado, e se propõe a comprá-lo. A vítima é envolvida pela encenação, e sua vontade em ganhar dinheiro facilmente faz com que ela compre o bilhete. Quando ela tenta sacar o prêmio, vê que foi enganada.

Para a psicóloga Júlia Hernandez, mesmo as pessoas mais instruídas podem cair num golpe como este. “A fantasia de se beneficiar de forma rápida, de que é possível enriquecer, ter sorte e sucesso, ainda é cultivada. Isso mexe com a auto-estima.” Numa situação como essa, Júlia pensa que a vítima está tão envolvida, que seu julgamento de realidade e sua confiança nas próprias percepções ficam alterados. A entrada do segundo golpista, que tenta comprar o falso bilhete, é o ponto decisivo para enganar a vítima. “A pessoa se deixa levar pelo julgamento do outro”, diz a psicóloga.

Contemplação de ação

Este é outro golpe que tornou-se comum ultimamente. As vítimas são clientes de empresas de seguro ou planos que faliram.

O estelionatário telefona para sua vítima, apresentando-se como um advogado e avisando que ganhou uma ação na justiça para os ex-clientes do seguro.

“Existem quadrilhas muito bem organizadas, com acesso aos bancos de dados das empresas, por meios fraudulentos”, afirma o delegado Creppe. Para dar mais veracidade, a vítima recebe várias ligações do falso advogado, que conversa, fornece dados e explica o processo da ação.

Segundo o delegado, o golpista pede para sua vítima efetuar um depósito, normalmente de 10% do valor da falsa ação, para o pagamento dos serviços e custos do processo. “Para o estelionatário, tudo o que ele ganha é lucro. Se a pessoa concorda em pagar, ele vai tentar tirar mais, criando novos pagamentos. Quanto mais a vítima está disposta a pagar, mais eles vão tentar, até tirar o máximo dela.”

Creppe conta que, geralmente, os golpistas depositam um cheque na conta da vítima, com o valor que ela teria ganho. “Mas o cheque não é compensado porque é sem fundo, às vezes, roubado.”

Convencido pelo falso depósito em sua conta, ou na esperança de receber o dinheiro, o ex-segurado manda o pagamento ao falso advogado. E nunca mais ouve notícias dele.

Não caia em armadilhas

• Tome cuidado com pessoas estranhas pedindo ajuda.

• Desconfie sempre quando oferecerem vantagens repentinas e inesperadas.

• Nunca exponha o que for fazer em agências bancárias.

• Seja cuidadoso e rápido em caixas eletrônicos.

• Evite mostrar o dinheiro que está na carteira.

• Não deixe que a ganância e a vontade de ganhar um dinheiro fácil impeçam um julgamento cuidadoso da situação.

• Em caso de dúvida ou desconfiança, procure orientação ou comunique um policial.

Polícia acredita que existam mais casos

O delegado Carlos Creppe Júnior estima que o número de casos de estelionato em Bauru e região possa ser muito maior. Ele diz que, muitas vezes, os golpes nem são comunicados à polícia. “Ao perceber que foi enganada, a pessoa sente vergonha, e não conta pra ninguém.” Chegam até a esconder de pessoas da família.

Existem também os casos em que as vítimas demoram para perceber, e só comunicam o fato muito tempo depois.

A maioria dos golpes é realizada com telefones celulares e contas-poupança, o que dificulta o rastreamento pela polícia. “Mas para quebrar sigilo telefônico, a gente precisa de ordem da Justiça, e isso pode demorar”, afirma o delegado.

Para os golpes aplicados na rua, o recomendado é que as pessoas procurem um policial ou um distrito imediatamente. A polícia pode dar uma busca na área e encontrar os estelionatários, com as informações fornecidas.