Leituras antigas lembram os tempos dos bárbaros, legiões que apareceram e foram se multiplicando cometendo, sem armas de fogo, que logicamente ainda não existiam, ações terrivelmente selvagens, uns contra outros, embora todos humanos, nos primórdios do mundo, justificando, face à negatividade, sua inclusão na história da humanidade nascente. Mas, se em seu tempo eles se tornaram objeto da repulsa contemporânea, o que lhes aconteceria se transmitissem os seus horrores às comunidades que as sucederam? Acontece que, na verdade, elas parece que se irradiaram através da inexorabilidade dos tempos, pois é isso, exatamente, o que ora estamos presenciando, com lutas fratricidas em várias regiões universais, destruições aéreas de suntuosos edifícios e torres como as de Nova York e, aqui bem perto de nós, tantos seqüestros, assassinatos, assaltos e roubos, como os praticados contra prefeitos, magistrados, promotores, advogados, médicos e tantos outros seres, entre nós e no Exterior? Como se classificaria tudo isso? Dir-se-ia serem ações delituosas de bárbaros contemporâneos, poderosamente armados, repetindo, desgraçadamente, as dos primeiros tempos do velho mundo, sem que, como as do passado, possam ser reprimidas já para que encontrem paradeiro, venham a desaparecer efetivamente do cenário e, então, deixem de ser parecidas, irreversivelmente, com a criminalidade de um passado que não se quer volte jamais. Seria possível acabar com essas monstruosidades, como aconteceu às de antanho, das quais se tem hoje apenas um mínimo de lembranças, até porque claramente definidas pelos compêndios como “incivilidade, grosseria, desumanidade, rudeza e crueldadeâ€? Aí está um secretário do Governo dos Estados Unidos assegurando que a progressiva violência dos nossos tempos tem raízes na pobreza e nas evidências do desemprego das populações. E razões absolutas têm os lances dessas colocações - convenha-se - pois deixam transparecer incontestavelmente duas das principais anomalias sócio-econômicas que estão arrastando tanta gente a desvirtuamentos morais e cívicos em todas as partes do universo, inclusive, infelizmente, as brasileiras, como se percebe através da pletora de ocorrências criminosas noticiadas a todo instante pelos nossos meios de comunicação de massa, donde se infere que estariam nascendo aqui os delituosos exemplos dos bárbaros dos primeiros tempos, destituídos de senso e de peias contenedoras. É a nossa opinião.
(*) O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.