Creio que nunca ouvi tantas asneiras, tais como foram divulgadas pela mídia, em razão do episódio da morte do sr. prefeito de Santo André. Uma delas é a declaração do ex-secretário da Segurança que afirmou: “Apesar das cartas enviadas aos prefeitos do PT serem ameaçadoras, estão mal feitas.†Ora! para serem levadas a sério as ameaças seria necessário que essas cartas antes de serem destinadas passassem pelo crivo do catedrático Aurélio de Holanda, ou do meu particular amigo Gino Crês ou ainda da minha considerada e respeitada dra. Isolina Bresolin Vianna? E os entendidos de segurança pública, hein? Quantas asneiras exprimiram, tais como: combater o porte ilegal de armas, o que já tem sido feito há muito tempo, inclusive a destruição formal de armas em praça pública. Não é o porte ilegal de arma responsável por tudo de mal que tem acontecido, pois outro dia (26/1/02), um policial militar da Rota, à paisana, assassinou friamente, com a sua arma legalizada, um motorista de táxi, sob o olhar aflito de diversas pessoas. Outras asneiras: construção de penitenciárias, como pretendendo justificar que os sequestros ocorrem por falta de penitenciárias; aumento do efetivo policial, que somente aumentará o descontentamento nas corporações, pois se os atuais policiais já não recebem salários dignos, com o aumento do efetivo certamente seus salários sofrerão achatamento, pois na verdade uma boa parte da solução do problema que ora assusta a população, será oferecer salários mais dignos para os atuais policiais, evitando dessa maneira o deslize para a corrupção. Há dois anos aproximadamente, foi publicado nessa Tribuna um artigo de minha autoria, que alertava o Comando da Polícia Militar e Civil sobre a necessidade de expurgar das corporações com urgência, os maus policiais, que naquela época os maus elementos representavam apenas uma pequena quantidade de joio no trigal, mas não sei porquê o joio se alastrou de maneira que está ficando muito difícil saber quem é policial ou quem é bandido. É verdade que as corporações policiais empregam muitas pessoas e não podemos julgar todos pelo descaminho de um ou outro. Na classe dos advogados, que pertenço, existem também os maus profissionais, assim como em todas as classes laboriosas, mas o percentual de maus elementos nas polícias atingiu índice assustador, pois antes tínhamos notícia do descaminho de um ou outro policial, agora temos constantes notícias de grandes quadrilhas que se voltam contra a população, enquanto estão sendo pagos para nos oferecer segurança. Nada adianta para a nossa segurança inchar o efetivo policial com a admissão de mais tantos mil homens. A solução está na qualidade, devendo pois serem banidos das corporações sem muita burocracia e aperfeiçoar as qualidades dos que permanecerem, principalmente oferecendo-lhes salários dignos, sem a necessidade de fazerem “bico†para a complementação do sustento das respectivas famílias. (Argemiro Trindade - OAB/SP. 83.059)