09 de julho de 2026
Articulistas

Estamos todos "dengosos"?

(*) N. Serra
| Tempo de leitura: 2 min

Não se tem dúvida de que o País vive neste ano a pior epidemia de dengue que sua história registra, pois, ainda não plenamente implantada, ela já ultrapassa em muito os índices que assinalou em anos passados, quando os casos importados foram bem inferiores aos acontecidos agora, o que também ocorreu com os positivos gerados ultimamente. E, no que tange a Bauru, ainda que a cruzada desencadeada contra a enfermidade esteja se desenvolvendo convincentemente, com uma vultosa equipe de rapazes e moças trabalhando com todo entusiasmo, visitando diligentemente todas as casas e lugares, entende-se que nós não conseguiremos agora, totalmente, o ideal da estagnação da doença, a qual, então, deverá prosseguir ininterruptamente, derrotando as armas e as drogas que se lhe sejam antepostas e, também, os cuidados que a população bauruense venha a lhe oferecer desveladamente. Tudo porque, desta feita, o incontível surto veio, como se costuma falar, pra valer realmente ou para mostrar uma força e capacidade de ação demonstradas até em novelas televisivas, pois vemos aí em “O Clone”, entre outras programações, cenas explícitas de artistas, inclusive crianças, convencionalmente atingidas pela epidemia, como que entrando com sua advertência contra o insidioso mal.

Não se ignora a gravidade da situação, até porque ela se manifesta em toda a Nação, já não se tendo notícia de que haja, em qualquer cantinho dos quadrantes nacionais, regiões que ainda dela estejam a salvo, quer dizer-se, que não tenham em seus limites gente que o espírito popular está alcunhando de “dengosa”. Seus indesejáveis “abraços” já alcançam vítimas de todas as idades, ambos os sexos e inclusive homossexuais, que não poderiam ficar de fora da hecatombe, e, então, avilta-se a necessidade de que todos, indistintamente, entrem com a sua efetiva colaboração, combatendo corajosamente os mosquistos e respectivos focos, obedientes aos veementes apelos que se notam nos esquemas preconizados pelo Ministério da Saúde e, assim, participem da campanha nacional contra a moléstia que, como se realça, quando não mata deixa os seres predispostos a sequelas igualmente danosas. Ninguém considere que a enfermidade seja simplesmente endêmica porque ela já se reveste das características de preocupantemente epidêmica. Não se precisa dizer mais nada. É a nossa opinião.

(*) O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.