07 de julho de 2026
Auto Mercado

A pantera-cor-de rosa

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 4 min

É impossível não notá-lo. Assim pode ser descrita a reação de alguém que cruze nas ruas com o Fusca 1964 do bauruense César Augusto da Silva Cozza. Mais do que a sua idade, o detalhe que mais desperta a atenção e a curiosidade de quem o avista é a sua cor rosa pantera.

A tonalidade é a mesma já utilizada por um Chevette lançado na década de 70 e não foi escolhida por acaso por César. Além de querer diferenciar-se dos demais modelos da cidade, o bauruense encontrou na cor a forma de homenagear o nascimento de sua filha. “Quando o comprei ele ainda era cinza bege, semelhante ao café com leite. Mas queria pintá-lo de outra cor e decidi esperar meu filho nascer para escolhê-la. Se fosse menino seria azul, mas como foi menina...”, afirma ele.

Segundo César, a opção por uma cor diferente das tradicionalmente utilizadas suscitou as mais variadas reações. Brincadeiras são comuns. “Alguns o chamam de Penélope Charmosa, enquanto outros falam que é o carro da Barbie”, ressalta ele. E acrescenta: “Muitos falaram até que eu era louco de fazer isso. Mas porque não se até o Elvis Presley apareceu em um filme com um Cadilac rosa no México?.”

A admiração e o gosto pelo Fusca começaram cedo na vida de César. A paixão pelos carrinhos nasceu quando teve seu primeiro automóvel que, para variar, também foi um Volks. “Já tive outros automóveis, mas a paixão pelo fusquinha ainda bate forte no peito”, ressalta César.

E foi para matar a saudade de ser proprietário de um Fusca que o bauruense, em 1999, resolveu comprar a “pantera”. Inicialmente, o adquiriu em sociedade com uma colega de trabalho, que depois acabou vendendo a César a parte que lhe cabia. “Minha esposa reclamou comigo que o veículo deveria ser velho e fosse uma porcaria, mas quando fui vê-lo em um estacionamento ela pode comprovar que não era um mau negócio”, diz ele.

Já com o Fusca em mãos, César fez uma pequena revisão em alguns componentes tendo o cuidado de manter a originalidade do veículo. O resultado salta aos olhos. O capricho e o cuidado do seu proprietário transformaram o Fusca em um automóvel de beleza rara.

Externamente, além da cor, chamam a atenção as “sombrancelhas” sob os faróis e o brilho dos vários itens cromados, como os pára-choques, os símbolos da Volkswagen e o retrovisor. Mas a grande atração do carro por fora são as “saias” nas rodas traseiras, acessório inspirado em modelos americanos. “Copiei a idéia de uma revista dos Estados Unidos, pois lá os Volks da época vinham equipados com esse acessório”, enfatiza ele.

As calotas, com o símbolo VW pintado em rosa no centro, mais parecem um espelho de tão brilhante. Mas o nível de detalhismo de César não perdoou nem as câmaras de ar dos pneus. Os bicos protetores também ostentam a famosa logomarca alemã.

No interior impecável, o rosa também predomina, inclusive no assoalho e em partes do banco, e não faltam acessórios, como o rádio.

Ele vende

César também é proprietário de outro Fusca, só que de 1960. A exemplo da “pantera”, é equipado com motor original 1200 e transmissão de quatro marchas. Mas, além da rara cor verde Berillo, tem uma característica mecânica interessante. “A primeira marcha dele não é sincronizada, a chamada primeira seca, e tem de ter o tempo certo de engatá-la. Por isso, ele é um carro meio enjoado de dirigir”, explica o bauruense.

Outro detalhe que confere certo charme ao veículo é o retrovisor interno-rádio, que possui múltiplas funções. Além de servir para orientar o motorista pelo espelho, possui dois botões que acionam o rádio e controlam o volume do mesmo.

Entretanto, apesar de todo carinho dispensado aos veículos, não os tira da garagem diariamente. Ele só utiliza os dois Fuscas para o lazer nos finais de semana, principalmente para participar de encontros.

Avaliados cada um em torno de R$ 8.500,00, surpreendentemente César admite vendê-los. “Nessa hora, a paixão fica de lado, pois paixão a gente arruma outra”, brinca ele.

Perfil

Nome César Augusto da Silva Cozza

Profissão Comerciante

Hobby Carros antigos

Time do coração Palmeiras

Lugares para passear

Águas de Lindóia e Barra Bonita

O que mais lhe irrita no trânsito bauruense?

“Além dos buracos, os bauruenses, que são maus motoristas. Estes não respeitam as sinalizações, não indicam quando vão fazer conversões e páram em fila dupla freqüentemente”.

Quem você não colocaria como passageiro do seu carro ?

“O prefeito Nilson Costa. Basta andar nas ruas para saber porquê não o levo. Só na esquina da minha casa há 21 buracos, que já estão engolindo as guias. Daqui a pouco irão engolir as casas”.

Quem você levaria como passageiro do seu carro ?

“Minha família”.

Que nota você daria aos motoristas bauruenses ? Quatro.