Após passar por uma triste experiência, os infectados pelo vírus da dengue se mostram mais preocupados com o problema e procuram conscientizar as pessoas de que a doença é perigosa.
Quando um caso de dengue é confirmado, a pessoa recebe os cuidados necessários para se tratar, mas cabe ao médico informar-lhe, também, de que se for picado uma outra vez, essa pessoa pode vir a adquirir a versão mais grave e, algumas vezes, fatal da doença, a dengue hemorrágica.
A auxiliar de enfermagem Sueli Maria Alves Sabino, 40 anos, mora no Núcleo Gasparini e contraiu a doença em março do ano passado. Sueli contou que, de início, pensou que fosse um resfriado. “Eu só queria ficar deitada. Era a única maneira de me sentir bem. Tinha febre, dores no corpo e um mal-estar geralâ€, contou.
Como, mesmo tomando antitérmico e analgésico, os sintomas continuavam, Sueli procurou o Núcleo de Saúde do bairro. O médico que a atendeu desconfiou de dengue e pediu o exame, que foi encaminhado para Marília. Depois de quase um mês, Sueli recebeu o resultado positivo. Sueli contou que sempre cuidou de sua casa para que não houvesse criadouros, mas que não são todas as pessoas que se preocupam com isso. “Quando vejo algum vaso ou qualquer outra coisa na casa de um vizinho, vou logo chamando a atenção para que resolva o problema. Tenho medo de pegar a doença de novoâ€, disse.
O vigilante Antônio Carlos Leme, 27 anos, morador do Núcleo Geisel de Bauru teve dengue no final de janeiro deste ano. "Fiquei 20 dias sem trabalhar e me sentindo muito mal. Outro dia fui ao posto de saúde e vi um vaso com prato com água lá. Na mesma hora coloquei a planta no meio da sala para todo mundo ver. Foi uma revolta.â€, contou.
Leme disse que alerta seus vizinhos e amigos para que não deixem água limpa e parada dentro de casa. “Sempre que vejo algum lugar que possa ser criadouro do mosquito, dou um jeito de destruir. Nós temos que acabar com eleâ€, afirmou.
Questão de consciência
A moradora do bairro Santa Edwirges em Bauru, Luzia Aparecida Francisco, 39 anos, juntamente com seu filho, Daniel, 9 anos, começaram nesta semana um trabalho na rua onde moram. Luzia coloca cloro nas caixas d’água das casas que estão desabitadas e faz uma campanha para comprar sacos de lixo para embalar os entulhos da rua.
Ela decidiu sozinha realizar esse trabalho porque se preocupa com a situação que o Brasil está passando. “Nós temos que nos unir. Se cada pessoa dedicar 30 minutos do seu dia para cuidar desse problema, temos muitas chances de solucionar e acabar com o mosquito da dengueâ€, disse.
Luzia disse ter consciência do tamanho do problema que essa epidemia pode causar não só nesse momento, mas para os próximos anos. Ela disse se sentir muito triste em saber quantas pessoas já morreram por causa de uma doença que, segundo ela, pode ser evitada com o esforço de cada um. “Nós temos que cuidar do nosso bairro. Se todos pensarem assim, estaremos unindo forçasâ€, contou.
Nebulização
De acordo com o engenheiro agrônomo Antônio Donizete Miranda Soares a pulverização para a erradicação do mosquito transmissor da dengue Aedes aegypti, o conhecido “fumacê†que antes passava pelas ruas da cidade não causa nenhum tipo de inconveniente nem para o meio ambiente nem para o ser humano e animais, nem para as plantas. O que pode ocorrer são pequenos problemas de inalação com pássaros presos em gaiolas e alguns peixes, mas nada que seja alarmante e mereça algum cuidado especial.
Soares explicou que o produto que é utilizado não tem um efeito residual longo no solo, se decompondo com muita rapidez. Ele acredita que o nebulizador é eficaz na luta contra o mosquito adulto, mas o importante é que as pessoas se conscientizem e evitem ter criadouros em suas casas para que o mosquito transmissor da dengue e da febre amarela não se reproduza com facilidade.
Atualmente, a pulverização pelas ruas não são mais realizadas. Isso porque, de acordo com a diretora do Departamento de Saúde Coletiva de Bauru, Maria Helena Abreu, é uma resolução do Ministério da Saúde que afirma que o mosquito já está resistente a esse tipo de veneno e o trabalho não estava sendo totalmente eficaz. O que ocorre, de acordo com Maria Helena, é que quando um caso é confirmado, a Superintendência de Controle de Endemias (Sucen) vai até o local e com nebulizador costal, pulveriza a residência onde vive o doente e uma área da redondeza para matar os mosquitos infectados.