10 de julho de 2026
Saúde

Dengue: por que esse mal mobiliza o País?

Fabiana Teófilo
| Tempo de leitura: 3 min

A atual epidemia da dengue tem mobilizado todo o Brasil em busca de alternativas para uma solução. O número de pessoas infectadas pelo vírus vem aumentando cada vez mais e, conseqüentemente, as mortes por dengue hemorrágica, que é o tipo mais grave da doença, também crescem no País. De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde, dos 645 municípios do Estado de São Paulo, 485 têm focos do mosquito transmissor da doença, Aedes aegypti. No Rio de Janeiro, a situação é ainda mais grave. Até o último dia 26, 14 pessoas haviam morrido vítimas de dengue hemorrágica só neste ano. É a metade do total de óbitos (28) registrados em todo o ano passado no Brasil. Em São Paulo, já foram registrados dois óbitos.

A epidemia está no ápice agora. Isso porque turistas que viajaram durante o Carnaval podem ter sido picados pelo mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença, contaminado pelo vírus do tipo 3, em outras cidades ou Estados e retornaram à rotina há alguns dias. Se os infectados pelo vírus tipo 3 já foram picados anteriormente por mosquitos portadores dos subtipos 1 e 2 do vírus, (o que não é difícil, já que no Brasil há epidemias há 16 anos), podem vir a ter agora a dengue hemorrágica.

Os especialistas alertam ainda para o subtipo 4 que, de acordo com estudos realizados por laboratórios no Rio de Janeiro, já é também uma ameaça e pode provocar a dengue hemorrágica de forma mais forte e perigosa do que a já existente. Se isso ocorrer, as mortes serão mais freqüentes.

Pessoas famosas, conhecidas em todo o Brasil, foram atingidas pelo mosquito Aedes aegypti e contraíram a doença. Alguns dos infectados são Zélia Duncan, Reginaldo Faria, Stênio Garcia, Cláudia Jimenez, Ana Paula Arósio, Elisângela, entre outros. Isso fez com que a população, que via a doença como preocupação apenas para áreas menos favorecidas, mudasse seus conceitos e passasse a cuidar mais de suas casas, evitando criadouros do mosquito.

Trabalho contínuo. Essa é a solicitação dos especialistas que acreditam que essa, por hora, seja a única forma de diminuir a proliferação do Aedes aegypti, mosquito que transmite a dengue. As secretarias municipais, alavancadas pelo Governo Federal, precisam realizar o trabalho de erradicação durante todo o ano e não somente na época crítica, o verão. Por volta de abril ou maio, a dengue acaba e volta só no fim do ano. Nesse período de sete meses, mais ou menos, é que é preciso conscientizar a população para que impeça a reprodução do mosquito. Os ovos depositados em criadouros têm capacidade de sobreviver por mais de um ano, mesmo sem água, por isso a facilidade na procriação dos insetos.

Esse mal surgiu no País por volta de 1860, quando o mosquito era erradicado por ser transmissor da febre amarela. Nos dias atuais, os casos da doença estão aumentando e as mortes, em decorrência da dengue hemorrágica, também crescem no Brasil.

Com menos de seis milímetros e vivendo pouco mais do que 20 dias, a fêmea do mosquito Aedes aegypti, atualmente, é o maior inimigo da Saúde não só de São Paulo como do Brasil e, segundo levantamento divulgado esta semana pela Secretaria Estadual de Saúde, já contaminou 8.099 pessoas no Estado de São Paulo.

Trabalhos para a erradicação do mosquito são intensos em todo o País, mas, na verdade, a população se pergunta por que o descontrole chegou a tal ponto. A opinião dos especialistas no assunto é de que a descontinuidade do combate ao mosquito provocou a tragédia anunciada. As epidemias, normalmente, se manifestam no verão, especialmente nos anos mais chuvosos e entram em declínio por volta de maio. Nessa época, as autoridades abandonam as precauções que deveriam ser mantidas durante todo o ano, pois mesmo que as fêmeas do Aedes aegypti, as transmissoras, desapareçam com a queda da temperatura, seus ovos ficam depositados em criadouros e têm capacidade de sobreviver por mais de um ano, mesmo sem água.

Essa, talvez, seja uma resposta do porquê esse mal invade cada vez mais o território brasileiro e mobiliza todo o País na tentativa de erradicar o mosquito e acabar com a epidemia.