A decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de que as alianças partidárias nacionais têm que ser seguidas pelos estados ainda está causando reação no meio político. Em visita a Bauru, ontem, o ex-governador de São Paulo, Luiz Antonio Fleury Filho (PTB) disse que aceita ser candidato ao cargo se a nova conjuntura política favorecer a situação. Ele aponta que o Estado tem apenas dois candidatos, referindo-se à polarização atual entre Geraldo Alckmin (PSDB) e Paulo Maluf (PPB).
Perguntado sobre o reflexo da mudança na regra eleitoral em seu projeto político, Fleury não titubeou. “Se o cavalo passar arreado eu subo. Eu sou candidato à reeleição a deputado federal, mas nós temos um projeto nacional. Hoje eu não sou candidato, mas sou caipira do interior e eu monto no cavalo. E estão arreando o cavalo para que eu seja candidatoâ€, diz.
Fleury também contextualizou a possibilidade de sua candidatura ao Governo do Estado. “O partido, como eu disse, tem um projeto nacional. E não há projeto nacional que não passe por São Paulo. Para a eleição do Ciro temos que ter um candidato competitivo, com condições de ganhar a eleição em São Paulo. Sem falta modéstia, eu acho que o quadro é favorável à minha candidatura dentro da coligaçãoâ€, comenta.
O atual deputado federal comentou que os partidos ainda estão criticando o que não conhecem, referindo-se à resolução do TSE sobre coligações que ainda não foi publicada. “A resolução será publicada no início desta semana. Mas como o assunto criou grande expectativa já saíram criticando. Não há nenhum partido que só perca com a mudança, ou só ganhe. Alguns ganham mais, como é o caso do Serra, candidato do governo. Mas todos perdem alguma coisa. Outros perdem um pouco maisâ€, reflete.
Fleury acha que a medida será boa para os petebistas. “No nosso caso, mantida a aliança, a situação é favorável. Nem em São Paulo deveremos ter problemas porque o quadro ainda não se fechou. Quanto às coligações na proporcional as regras também não estão definidas porque a resolução ainda não foi publicada. O que eu verifiquei é que o TSE deve seguir o que aconteceu na última eleição. No caso do PPS, PDT e PTB, nós podemos sair coligados com o PDT e PPS na proporcional ou pode sair também isoladamente. O que não pode é coligar na proporcional com outro partido de fora da aliança nacional. Essa deve ser a situaçãoâ€, cita.
Medida moralizadora
O ex-governador considera a medida que proíbe alianças estaduais com candidatos diferentes moralizadora. “A mudança deveria ter acontecido antes. A proibição é moralizadora para a política nacional e acaba com partidos de aluguel. É um absurdo o eleitor ter que aceitar candidatos de partidos diferentes tendo o apoio do presidente da República de outro partido. Isso acaba com a vinculação nacional das aliançasâ€, opina.
Contudo, ele aponta que a resolução não deveria ter sido publicada às vésperas do período eleitoral deste ano. “A consulta ao TSE é de agosto do ano passado. Se o tribunal tivesse expedido a resolução naquela época daria tempo dos partidos se reorganizarem e o quadro hoje seria outro. Assim já se saberia qual a regra do jogo para as composições. Mas que a medida é moralizadora éâ€, explica.
Visita ao hospital
O ex-governador participou, ontem, em Bauru, da convenção estadual da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (Adesg), no Obeid Plaza Hotel. Fleury fez conferência sobre estratégia e planos governamentais pró-segurança. Ele foi secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo e é membro da Comissão Mista de Segurança na Câmara dos Deputados.
Fleury recebeu o título de hóspede oficial do município do prefeito Nilson Costa. No início da tarde, o prefeito o acompanhou na visita às obras do Hospital Regional. A construção foi iniciada quando ele era governador do Estado.