08 de julho de 2026
Geral

Bauru terá delegacia da infância

Rita de C. Cornélio
| Tempo de leitura: 4 min

Um projeto da Delegacia Seccional de Bauru para a implantação da Delegacia de Infância e Juventude (Diju) pode mudar o conceito de unidade policial em Bauru. Tornar-se modelo e ressocializar os menores que estejam em situação de risco é o objetivo da inovação. Além da apuração das infrações, a Diju deverá fazer um trabalho preventivo especializado, fincado no tripé: educação, orientação e oportunidade. O trabalho está sendo apresentado para outros órgãos públicos e privados que deverão ser parceiros nessa empreitada.

O objetivo, segundo o delegado seccional de Bauru, Antônio Ângelo Ciocca é recuperar o menor que começa a trilhar por caminhos obscuros. “No ano passado em Bauru foram registrados 692 boletins de ocorrência versando sobre atos infracionais. Queremos oferecer algo mais ao chamado “adolescente infrator” que a simples aplicação da Lei no sentido punitivo.”

Na opinião dele, havendo a justa correção do jovem que começa a desgarrar-se, haverá maior probabilidade de se reduzir o número de criminosos adultos. “Isso é inegável. A Polícia Civil quer cumprir aquilo que lhe cabe por expressa disposição legal, ou seja, executar a “prevenção especializada”.

A intenção, segundo Ciocca é oferecer algo mais à sociedade ao invés de apenas reprimir o adolescente em conflito com a Lei. “A idéia inicial de se criar uma delegacia modelo, é proporcionar ao menor infrator, a oportunidade de alterar o rumo de sua vida. Queremos trazê-lo ao caminho do bem. Partimos do pressuposto de que ninguém nasce bom ou ruim e, ainda de que na infância e na adolescência alguém só parte a trilhar os caminhos obscuros da criminalidade por absoluta falta de educação, orientação e oportunidade.”

Apoiado nesse tripé, pilares da proposta, a Diju precisa do apoio da sociedade, que será a maior beneficiada, a longo prazo, com o trabalho, enfatiza o delegado. “Teremos não só um adulto bandido a menos mas, um homem de bem a mais.”

O projeto já é de conhecimento do Departamento de Polícia Judiciária do Interior (Deinter4), conforme explica o seccional. “O diretor, Anivaldo Registro conhece o projeto e deu seu aval. Estamos apresentando-o aos demais órgãos para que se possa colocar em prática. Nossa pretenssão é implantar a delegacia até abril deste ano.”

Sob o mesmo teto

O local para a instalação da Diju já foi escolhido, o antigo prédio ocupado pela 5.ª Ciretran, na Praça D.Pedro II. O imóvel passa por reformas para abrigar não só a equipe de policiais, mas também outros órgãos que trabalham com o mesmo público alvo.

A Diju disponibilizará salas para abrigar psicólogos, assistentes sociais e escriturários da Febem. Salas designadas ao poder judiciário, onde o juiz e o promotor poderão se instalar todas as vezes que julgarem necessário. Além de sala que poderá ser ocupada por integrantes do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente

Diferencial

A Diju ultrapassará os limites da investigação e posterior elaboração de BOs. A proposta é oferecer algo mais.”O adolescente que não estiver estudando, por exemplo, será matriculado em uma escola. Aqueles que não se interessarem em estudar, ou mesmo, aqueles que quiserem desenvolver ambas as atividades, poderão iniciar um aprendizado profissional”, explica Ciocca.

No final do aprendizado, a Diju tentará colocar esse adolescente no mercado de trabalho, evitando, desta maneira, que ele volte a infringir a Lei.

O projeto prevê ainda, um apoio à família do menor. “Muitas vezes não só o adolescente precisa de ajuda, mas a família. Se isso for constatado, as equipes de trabalho da Diju tentará amparar a família.

Parceiros

As universidades públicas e privadas deverão ser convidadas a contribuir com o projeto. “Eles poderão colaborar sendo parceiros nossos, possibilitando que seus alunos trabalhem com os jovens nas mais diversas áreas de atuação. Em Bauru pretendemos contar com todas as universidades.”

Além dos universitários, a Diju vai buscar parcerias nos clubes de serviços, associações (Lions, Rotary, Maçonaria etc). Nas igrejas e entidades de classe, (sindicatos, PAT, Sesi, Senai etc).

Acompanhamento

O acompanhamento do adolescente e de seus familiares que estão sendo assistidos pela Diju é de suma importância, pelo menos, até que seja superada a fase mais crítica. Para isso, a delegacia pretende contar com o apoio da Polícia Militar e estudantes universitários.

A idéia é que estudantes da área de psicologia, serviço social e direito possam adotar um número limitado de adolescentes e seus familiares. “Eles ficarão responsáveis pelas visitas regulares a casa dos assistidos, assim como, elaborarão relatórios que subsidiarão o direcionamento dos trabalhos para aquela família.”

O estágio dos alunos poderá ser incentivado com descontos de mensalidades ou mesmo com uma remuneração simbólica para custear suas despesas na empreitada. “A Prefeitura Municipal ou os empresários poderão ajudar nesse incentivo”, acredita Ciocca.

Os empresários também serão chamados a oferecer vagas no mercado de trabalho. “Aos adolescentes ou aos seus familiares.”