O anúncio de um plano nacional de racionamento de energia elétrica no Brasil levou para a gaveta um projeto da Prefeitura Municipal de Bauru para a melhoria da iluminação pública no município. A proposta era substituir 78% das 32 mil lâmpadas espalhadas pelas ruas da cidade por produtos mais eficientes e instalar outras. Mas o plano nacional veio na contramão, exigindo que as luzes fossem desligadas.
O assessor de Gabinete da Prefeitura, Braz Melero, conta que, em meados do ano 2000, a Administração Municipal fez um amplo estudo da iluminação pública envolvendo a Polícia Militar, Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL - concessionária local), Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb - responsável pelo trânsito), associações de moradores e secretarias municipais.
“Fizemos um diagnóstico dos problemas e um planejamento para promover uma adequação em toda a iluminação das vias públicas da cidade. A idéia era modernizar o sistema, trocando as lâmpadas atuais por outras com menor gasto e maior rendimento. Hoje, para fazer tudo o que estava programado, gastaríamos cerca de R$ 3 milhõesâ€, informa.
O projeto estava pronto e o Poder Executivo já negociava a liberação de recursos junto aos órgãos de segurança pública para implementar as mudanças, quando o processo foi interrompido pela crise da energia.
Proposta ousada
De acordo com o projeto, a iniciativa mais ousada da Prefeitura seria a substituição de mais de 25 mil lâmpadas espalhadas pela cidade atualmente. Todas as unidades de vapor de mercúrio seriam trocadas pelas de vapor de sódio, com diferentes potências.
Nas vias arteriais, que ligam bairro a bairro, seriam instaladas as de 250 watts, que garantem um grande potencial de luz. As vias coletoras, por onde passam os ônibus coletivos ou o comércio periférico, seriam colocadas lâmpadas de 150 watts, em média. Somente nas ruas de utilização secundária, com pouco movimento, é que seriam usadas as lâmpadas de 100 watts.
A proposta é considerada ousada pela enorme quantidade de lâmpadas que seria comprada (78% do total existente hoje), com alto custo de implantação. No entanto, o engenheiro da Unesp, José Angelo Cagnon, garante (leia na pág. 1) que a iluminação ideal exigiria unidades de 250 watts em todas as vias públicas. Isso leva a crer que parte das ruas continuaria mal iluminada.
Melero salienta, porém, que a administração Nilson Costa recebeu uma prefeitura sem previsão de investimentos para iluminação pública. “A cidade tem cerca de 750 postes instalados que não têm luz. Além disso, antigamente, a concessionária prestava um consultoria ao Município no planejamento do serviço, dizendo o que seria ideal, mais barato, prioritário. Hoje, tudo fica por conta do poder público e estamos estudando em conjuntoâ€, ressalta.
Outro ponto que ele destaca é que o índice quantitativo de iluminação pública na cidade é considerado satisfatório pelos padrões alemães - uma luminária para cada 10 habitantes. “Qualitativamente é que precisamos melhorar, com lâmpadas de vapor de sódio, que garantem maior luminosidadeâ€, completa.
Críticas
Ex-gerente regional da CPFL antes da privatização, Braz Melero aponta algumas críticas com relação à atuação da concessionária nos últimos anos. Além de reclamar pela Prefeitura não ter mais uma consultoria da companhia durante o planejamento da iluminação pública, ele destaca problemas na manutenção do sistema.
De acordo com Melero, a partir do momento em que a Prefeitura paga a companhia pela prestação de serviços, é dever da concessionária promover a manutenção da rede. “A CPFL aboliu a prática da manutenção preventiva setorizada para efetuá-la pontualmenteâ€, reclama.
Ou seja, se antes os funcionários passavam por cada região da cidade regularmente vistoriando as luminárias, hoje a equipe só vai a um local após receber uma reclamação. Desta forma se há problemas num trecho onde não há residências, as lâmpadas podem ficar apagadas durante meses.
“Além disso, os vidros de refração quebrados não estão sendo repostos e o fluxo luminoso concentra-se numa área menor. As ‘cabeças de luminárias’ estão desalinhadas e o foco é desviado. E a CPFL aboliu a prática de instalar telas metálicas de proteção onde ocorre sistematicamente quebra de lâmpadas pelo vandalismoâ€, conclui.