07 de julho de 2026
Entrelinhas

Entrelinha

Redação
| Tempo de leitura: 2 min

• Crise detonada

A entrevista bombástica concedida pelo vereador Milton Dota Júnior (PTB) ao repórter Franco Júnior, da Rádio Auri Verde, no final da noite de ontem, reproduzida na edição de hoje do JC, detonou a maior crise política do atual governo de Bauru. O desabafo do vereador, até então líder do prefeito Nilson Costa (PPS) na Câmara, também expõe os traumas que a cidade vem enfrentando e as feridas cada vez mais profundas na governabilidade do município.

• Velho filme

Infelizmente, a cidade parece ter entrado, mais uma vez, em um período turbulento, uma espécie de revival de um passado recente, que ainda está vivo na memória do povo. As denúncias, informações, contra-informações, declarações, tentativas de intimidação, negociações à mesa pequena, CEI’s e outros fatos nada progressistas voltam ao vocabulário da população bauruense, desde os formadores de opinião até aqueles que não haviam se dado conta da gravidade do momento.

• Corre-corre

Em meio ao corre-corre que se formou ontem à noite nos bastidores, logo que surgiram as primeiras informações sobre a decisão de Dota Jr., soube-se que integrantes do primeiro escalão e mesmo aliados do governo municipal estavam, há dias, ao redor da principal mesa do Palácio das Cerejeiras, para tentar formas de contornar a crise que se revelava iminente.

• Solução rejeitada

Informes extra-oficiais, mas de fontes confiáveis, dão conta de que teria havido uma proposta, nas últimas horas, de tentar acomodar pelo menos um impasse político-administrativo, com a substituição do secretário de Obras, Edmilson Queiroz Dias, que seria transferido para a presidência do DAE, numa espécie de “prêmio de consolação”. Mas Nilson Costa teria recusado.

• Verba de urgência

Numa tentativa de compensar as negativas e o desgaste que cresce na proporção dos buracos, o prefeito anuncia hoje, através do Diário Oficial, a liberação de R$ 8 milhões em obras, a serem terceirizadas, em busca de dar um aspecto melhor à cidade. O processo burocrático da licitação deverá consumir cerca de 90 dias. Os aliados não se mostram dispostos a pagar um preço tão alto.

• Surrealismo

Em outro centro nervoso da crise, o presidente do DAE, Sérgio Macedo, apostou todas as fichas na defesa irrestrita da gestão responsável pelo poço sem licitação do Parque Roosevelt e armou um cenário teratológico e nunca visto para uma entrevista coletiva. Tirou dezenas de servidores de seus afazeres, colocou-os no refeitório da autarquia e, em seguida, tentou envolvê-los na crise antes de responder às perguntas da imprensa. Todos foram obrigados a ver e ouvir a entrevista. Uma ação tão quanto irreal quanto precipitada. Sobraram ironias e reclamações nos corredores.