Piratininga - Uma garrucha de dois canos, antiga, guardada debaixo da roupa do pai, foi a responsável pela morte de G.R.R., 7 anos, morador no sítio do Abacateiro. O disparo aconteceu enquanto a vítima, junto com outros dois irmãos, todos menores, brincavam com a arma no quarto, em cima da cama. O tiro acertou a cabeça do menor e a bala ficou alojada no colchão. G.R.R. morreu na hora.
O incidente aconteceu por volta das 13h e estavam na casa apenas as três crianças. Elas tinham sido entregues pelo ônibus escolar havia pouco tempo. O pai, Jovercino Ribeiro, estava trabalhando e a mãe, Aparecida Isabel Bevilaqua Ribeiro, estava no hospital, passando por consulta médica.
A cem metros da casa onde estavam os meninos, mora um outro casal, que ouviu o disparo. Eles foram os primeiros a chegar ao local da tragédia. Quando chegaram, viram os menores F.J.R., 9 anos, e V.A.R., 10 anos, em estado de desespero, correndo de um canto para outro dizendo que o irmão havia morrido.
Ao ver um dos meninos ensangüentado, em cima da cama, o casal decidiu avisar outros vizinhos e chamar a ambulância, que chegou logo depois acompanhada pela Polícia Civil e Militar. Como o menor não apresentava mais sinais de vida, ele não chegou nem a ser socorrido. O corpo foi encaminhado direto ao Instituto Médico Legal (IML), em Bauru.
Avisados sobre o ocorrido, pai e mãe entraram em estado de choque. Aparecida foi sedada e permaneceu na casa de uma irmã, na cidade. O pai, Jovercino Ribeiro, admitiu que a arma era dele e que seus filhos sabiam da existência dela. Ele não tem porte de arma, mas segundo informações da Delegacia de Polícia de Piratininga nem seria preciso. De acordo com o escrivão Flávio, por ser considerada obsoleta, a garrucha de dois canos, calibre 44, não exigia porte legal de arma.
No máximo, Ribeiro poderá ser condenado por negligência e pegar de seis meses a um ano de prisão, segundo Flávio.
O escrivão informou ainda que o inquérito policial só deve ser instaurado hoje, com a volta do delegado Francisco Bromati Filho, que ontem trabalhou o dia todo em Bauru.
Em razão do desespero que tomou conta dos dois menores, a polícia não conseguiu ouvi-los sobre os fatos que levaram o irmão à morte. A polícia ainda não sabe qual dos três irmãos foi o responsável pelo disparo e nem em quais circunstâncias.
O incidente só começará a ser esclarecido após a conclusão dos exames residográficos.