08 de julho de 2026
Articulistas

Eqüidade necessária!

N. Serra
| Tempo de leitura: 2 min

A divulgação profusa de chamadas, através dos meios de comunicação, principalmente TV, concitando ardorosamente os jovens a ingressarem no Exército, Marinha e Aeronáutica, atesta, inegavelmente, que as nossas Forças Armadas estão carecendo de muita gente em suas enormes fileiras. Gente para quê? Obviamente para ajudar a defender a terra, o mar e os céus do País, ainda que, nestes mais de 500 longos anos de seu badalado descobrimento, raras necessidades teve o Brasil de se entrincheirar para resguardar seu amplíssimo cenário de investidas perigosas de terceiros, mal avisados das nossas potencialidades de patriotismo, bravura e sistemas de defesa.

Tudo bem! Contra a contingência das coisas e dos acontecimentos não se tem como obstaculizar a não ser opondo-se-lhe, igualmente, obstáculos de igual seriedade, e se precisa convir, no caso, que as organizações militares ou pára-militares têm mais é que defender a todos nós e aos nossos bens materiais, até porque não o fazem de graça, eis que são regiamente pagas para isso e para alguma coisa mais, uma vez que não pretende o País abrir mãos de ações autodefensivas daquilo que enxerga pelos olhos e, também, daquilo que se acha encrustado nos sentimentos de seus filhos, como seja a consciência plena dos valores legais e reais que regem as instituições regimentais do País. O que, entretanto, nos parece contraditório é procurar o Ministério da Defesa e respectivos prepostos induzir jovens, que estão superando os 18 anos da sua minoridade, e, portanto, já não são imberbes, a assumirem responsabilidades militares, problemáticas por sua própria natureza, porque bem arriscadas, mediante vencimentos iniciais nada compatíveis com as funções para que são chamados. Seja, certamente, por essa razão, que os órgãos específicos do Governo Federal se consideram necessitados de alguns milhares de novos soldados, marinheiros e aviadores para preencherem os seus reconhecidos vazios. E está difícil de atraí-los porque com vencimentos 12 vezes inferiores aos de ministros, deputados e senadores, regiamente distinguidos com funções suaves como noites enluaradas, não é nada atraente para a juventude trabalhar nos quartéis ou desfilar nas avenidas fazendo continências respeitosas para seus superiores e outras autoridades, com o corpo visivelmente teso e a mão direita obrigatoriamente levantada ao boné... Mereceriam ser reconhecidos devidamente, quanto aos seus salários, por honesta obediência à eqüidade, que não pode deixar de figurar em nenhum setor. Nem tanto ao mar - diga-se - mas, também, nem tanto à terra! É a nossa opinião.

(*) O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.