10 de julho de 2026
Polícia

PCC motiva início de rebelião no IPA

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 2 min

A presença de integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) no Instituto Penal Agrícola (IPA) de Bauru foi motivo de um princípio de rebelião na instituição, na madrugada de ontem. Os reeducandos não aceitam a presença dos membros da facção criminosa, que chegaram no último mês a Bauru.

De acordo com a Polícia Militar (PM), a manifestação foi pacífica. Aproximadamente a 00h45, os reeducandos negaram-se a voltar para os alojamentos e permaneceram no pátio, desobedecendo às orientações dos agentes de segurança. Eles estavam reivindicando a transferência dos integrantes do PCC a penitenciárias de outras cidades.

A PM foi acionada, mas não houve necessidade de intervenção. O problema foi resolvido pacificamente pela diretoria do instituto, que entrou em acordo com os reeducandos.

Recentes manifestações violentas atribuídas ao PCC preocupam detentos e a população de Bauru quanto à transferência de membros da organização para as cidades do Interior. Na última sexta-feira, a polícia atribuiu ao PCC os atentados a bomba praticados contra dois órgãos da Capital. No Fórum Criminal Ministro Mário Guimarães, um carro com 40 quilos de explosivos foi deixado no estacionamento.

Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Públicos do Complexo Penitenciário do Centro-Oeste Paulista (Sindcop), Ramon Álvaro dos Anjos Souza, a transferência de presos da Casa de Detenção de São Paulo para o Interior aumenta o risco de rebelião na região. Embora não saiba precisar números, ele afirma que no último mês várias transferências tiveram Bauru como destino.

“A gente briga com a Secretaria (da Administarção Penitenciária) e com a Coordenadoria para que não mandem mais para cá e sempre deixamos nosso protesto, mas Bauru acaba tendo que aceitar esse pessoal para esvaziar a Casa de Detenção”, observa.

Ele salienta que a presença de integrantes do PCC nas penitenciárias de regime semi-aberto - como o IPA - é mais preocupante que em instituições de regime fechado. “No semi-aberto não tem como separar. Acaba ficando todo mundo junto. E no IPA chega muita gente. Não tem como controlar”, enfatiza. “Nas brigas de facções, quem sai prejudicado é o semi-aberto”, acrescenta Souza.

O diretor do IPA, Gilberto de Assis Oliveira, não foi localizado para dar informações sobre o princípio de rebelião.