09 de julho de 2026
Articulistas

Oligarquia, até quando

(*) Zarcillo Barbosa
| Tempo de leitura: 3 min

As oligarquias entram em crise neste País, mas conseguem sempre sobreviver, a cada vez com uma estratégia nova. Com o término da ditadura e o fenômeno da globalização, seria natural que já não tivessem o mesmo espaço para se manterem vigentes com a mesma influência de longas décadas. A família Sarney, que há pelo menos 20 anos domina a política e a vida econômica do Maranhão, em apenas sete dias conseguiu retirar três ministros do governo e alguns diretores de empresas estatais, fazendo de conta que isso tudo iria abalar as bases de sustentação política de FHC.

É evidente que esse “rompimento” não vai comprometer outros dois mil e tantos cargos que o PFL tem no poder. Seria exigir um sacrifício demasiado das oligarquias de vários Estados que mamam nas tetas do Estado desde 1964, sob diferentes denominações, e há sete anos e meio neste governo. A frente palaciana continuará tão forte como sempre foi no Congresso. Os governadores já estão negociando a continuidade dos seus apadrinhados em troca da continuidade do apoio parlamentar. O atávico atrelamento ao poder continua, e isso permite a sustentação do prestígio das velhas famílias como os Paes Landin, no Piauí; os Freitas, na Paraíba; os Maia, no Rio Grande do Norte; os Sarney e os emergentes como os Konder Borhausen, em Santa Catarina, que querem a fixação do eixo Norte-Sul.

Há centenas de estudos e teses sobre o oligarquismo que nos permitem traçar um perfil sociológico, político e histórico de grande riqueza conceitual e analítica. Cito dois, e são bastantes: Vitor Nunes Leal e Raimundo Faoro, autores dos clássicos “Coronelismo, enxada e voto” e “Os donos do poder”. Ambos confirmam que as oligarquias estão em crise, mas não sepultadas. Detentoras de sete fôlegos, elas continuam buscando e encontrando formas e maneiras de continuarem vivas e atuantes no quadro político brasileiro. Quando o chefe do clã entra em desgraça, há sempre alguém da família para dar continuidade à cota de poder. Fernando Collor de Mello, Antonio Carlos Magalhães e Jader Barbalho preparam herdeiros para as próximas eleições.

No Brasil não se admite que membros da oligarquia sejam investigados, mesmo sob mandado judicial, ou que apareçam usando algemas, acessório da Polícia que fica bem em branco pobre e negro mas jamais num membro do lado podre da elite brasileira. As próximas pesquisas vão dizer se Roseana balançou com os episódios envolvendo empresas dela e do marido, acusadas de irregularidades em processos que estão há três anos sub judice. Provavelmente neste domingo as revistas semanais tragam José Serra na capa como alvo de denúncias. Chumbo trocado não dói. Uma ferida a mais não fará diferença para quem está marcado como símbolo do continuísmo.

O PSDB será expelido do poder mas pelos motivos que todos nós conhecemos. O povo já não suporta mais essa política de empobrecimento nacional, de aumento do desemprego e da exclusão social. Roseana Sarney e seu bando de oligarcas exprimem precisamente o mesmo, ou seja, a permanência do atual modelo neoliberal globalizante. Eles que se exterminem. A alternância no poder é a solução. Lula, Ciro Gomes... até o Itamar Franco serve.

(*) Zarcillo Barbosa é jornalista e colaborador do JC.