O comitê bauruense de defesa dos direitos à estabilidade no emprego para a trabalhadora grávida, em conjunto com entidades sindicais, populares e a Central Única dos Trabalhadores (CUT), realizou, ontem, um ato público em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, com o objetivo de conseguir assinaturas para um abaixo-assinado endereçado ao presidente da Câmara dos Deputados Federais reivindicando a rejeição do projeto que extingue a estabilidade no emprego para a trabalhadora gestante.
Até o meio-dia de ontem já havia sido coletadas, aproximadamente, 12 mil assinaturas. De acordo com o sindicalista Roque Ferreira, o projeto, de autoria do senador Luiz Pontes, prevê o fim de estabilidade no emprego para a mulher grávida. “Esse projeto que já está aprovado fará com que todas as mulheres que trabalham e que venham a engravidar, poderão ser demitidas do emprego. E o mundo considera isso uma agressão a um direitoâ€, explicou.
Para evitar isso, está sendo realizada uma campanha nacional dirigida à Câmara dos Deputados para que eles rejeitem esse projeto que já foi aprovado no Senado. Em várias cidades estão sendo coletadas assinaturas para o abaixo-assinado.
O diretor do Sindicato dos Bancários, Marcos Silvestre, acha importante essa iniciativa para pressionar o Congresso a rejeitar esse projeto que, segundo ele, na prática acaba com a estabilidade das mulheres em período de licença maternidade. “Isso também serve para demonstrar a política nefasta desse governo de adesão à Alca, porque o que está por trás de todos esses projetos de desregulamentação como, por exemplo, o fim da estabilidade da licença maternidade, a reforma da CLT, é a adesão do Brasil à Alca que vai beneficiar o barateamento da mão-de-obra brasileira que já é extremamente barataâ€, afirmou.
Silvestre disse que o Sindicato dos Bancários está trabalhando na coleta de assinaturas para o abaixo-assinado e também está preparando a greve geral do próximo dia 21, contra a reforma da CLT que faz parte dessa campanha contra a desregulamentação e da retirada de direitos dos trabalhadores.
Na segunda quinzena deste mês, de acordo com Ferreira, será marcada uma audiência com o presidente da Câmara, Laércio Neves, quando serão entregues os abaixo-assinados.
Adesão
A dona de casa Aparecida Hishikawa, 63 anos, acredita que todas as pessoas deveriam assinar o abaixo-assinado e participar da campanha. “As mulheres têm o direito de ter seus filhos, amamentar, ficar um pouco com eles e manter seus empregos. Dou total apoio a essa iniciativaâ€, afirmou.
Sueli Alves da Silva, 50 anos, concorda com Aparecida. “Nós temos que participar dessas campanhas. Se nós não lutarmos pelos nossos direitos, quem vai fazer isso? Eu assinei, digo a todas as mulheres para assinarem e não só as mulheres, os homens também porque essa luta deve ser de todosâ€, disse.