08 de julho de 2026
Bairros

"Hóspedes" incomodam e põem saúde em risco

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 2 min

Quando o homem resolveu “invadir” a vegetação natural para construir seus abrigos, ele sufocou o habitat de inúmeros seres vivos. Muitos animais foram e são ameaçados de extinção. Outros esgueiram-se pelas paredes e quintais do mundo humano, em busca de abrigo e alimento.

São as pragas urbanas: baratas, pernilongos, moscas, carrapatos, escorpiões, cobras, aranhas, cupins, ratos, formigas, traças - populações inteiras que “adotam” residências e apavoram moradores de todos os bairros. Afinal, o que fazer com eles?

Em alguns casos, os insetos e outras espécies indesejadas representam apenas um grande incômodo à população, causando nojo e medo. Em outros, significam prejuízos materiais que podem chegar a grandes rombos financeiros. Porém, alguns representam risco à saúde humana e precisam ser eliminados.

Este é, segundo especialistas, um grande desafio diante do desequilíbrio da natureza, provocado pelas invenções do homem. De acordo com a professora-doutora Sônia Silveira Ruiz, do Departamento de Ciências Biológicas da Universidade Estadual Paulista (Unesp/Bauru), todos estes animais estão apenas tentando recuperar seus espaços, invadidos pelo homem.

Sem força para isso, eles aprendem a conviver com o mundo urbano. Multiplicam-se e adaptam-se a uma nova realidade, deixando em pânico sanitaristas e moradores de todo o mundo.

“A relação nossa com os insetos não tem sido boa. Primeiro, porque a gente não tem o hábito de preservar insetos e alguns já estão sendo extintos, como algumas espécies de borboletas e vespas. Segundo, porque causamos um desequilíbrio muito grande, matando predadores. Assim, alguns insetos mais resistentes tornam-se pragas urbanas. E tudo isso acontece sem que tenhamos tempo de conhecer e estudar todas as espécies”, salienta Sônia Ruiz.

Estes indesejados bichos aparecem por toda a cidade. Alguns concentram-se nos bairros periféricos, como cobras, escorpiões e aranhas, porque as casas estão muito próximas de matas e depósitos de entulho e lixo. Outros, aparecem por toda a cidade, como as baratas, moscas e pernilongos.

Um exemplo recente e muito combatido é o mosquito transmissor da dengue, Aedes aegypti. Os órgãos de saúde alertam que 70% dos criadouros estão dentro das casas. A população reluta em aceitar isto, alegando manter rígidos padrões de higiene. Ainda assim, agentes de saúde comprovam uma realidade diferente. No caso deste mosquito, a cooperação de todos os munícipes é fundamental para o combate da doença.

Nesta edição, o JC nos Bairros mostra que muitos outros animais, sem espaço em seu habitat, também estão lutando para sobreviver no mundo urbano. Para isso, eles adaptam-se a grandes dificuldades e encontram abrigo nos lugares mais imprevistos. Para os especialistas, é preciso rever o conceito de limpeza para prevenir o aparecimento destas pragas sem o uso abusivo de venenos e produtos químicos, que fazem mal à saúde e aumentam progressivamente o desequilíbrio da natureza.