08 de julho de 2026
Saúde

Mundo seria impossível sem micróbios

Fabiana Teófilo
| Tempo de leitura: 4 min

Os micróbios são seres vivos como o ser humano e como os outros animais, interagindo com as pessoas todo o tempo. De acordo com o médico infectologista José Fernando Casquel Monti, há pesquisas que revelam que uma parte do genoma do ser humano é oriundo do genoma dos micróbios. “O homem está inserido na natureza, juntamente com os micróbios”, disse.

A minoria dos micróbios são causadores de doenças. Mesmo esses, de acordo com Monti, com o passar do tempo se adaptam ao organismo humano. O objetivo desse ser vivo não é matar o hospedeiro. “Quando surge uma doença muito grave em que o agente infeccioso mata rapidamente, certamente é porque tem pouco tempo de contato com o hospedeiro. Com a evolução, um vai se adaptando ao outro”, explicou.

Rigor com a da higiene pessoal, controle ambiental, e o fim das infecções hospitalares são algumas medidas que minimizam a ocorrência de doenças infecciosas, de acordo com Monti.

A boca, segundo o médico, é uma fonte reservatória de uma série de micróbios. A maioria desses micróbios, não é causadora de doenças. “A vida seria impossível se não fossem os micróbios. É necessário que tenhamos micróbios intestinais, por exemplo. São bactérias que exercem uma série de funções. Se esterelizarmos o intestino de um indivíduo, ele não conseguirá sobreviver, então precisamos dos agentes infecciosos não patogênicos”, explicou.

A boca tem importância numa doença específica que é a doença do beijo. É uma doença benigna que causa febre e é comum em adolescentes.

Através da boca, que serve apenas como porta de saída, saem gotículas de saliva que podem estar contaminadas. Por isso se diz que, quando há uma reunião de pessoas em volta de uma mesa, por exemplo, onde há comida exposta, o alimento se transforma em um meio de transmissão. Mas, por outro lado, se as pessoas que estão ali, convivendo e conversando, estão contaminadas por algum tipo de micróbio, independente do alimento, ela poderá transmitir essa contaminação às outras através desse contato.

Higiene nas escolas

De acordo com Maria Lúcia Rácz, professora de Virologia do Departamento de Microbiologia do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (USP), todas as pessoas estão sujeitas a contraírem algum tipo de doença causada pelos micróbios, mas as crianças que freqüentam creches e escolas, por estarem aglomeradas, estão mais expostas à contaminação.

As doenças são causadas por bactérias, fungos, parasitas e vírus. As mais comuns, de acordo com a professora, são as diarréias e os problemas respiratórios como gripes e resfriados. “Em primeiro lugar, para evitar essas doenças, a escola deve controlar a caderneta de vacinação das crianças. Isso é o principal. Depois, os cuidados básicos de higiene da escola que são muito importantes e a atenção do pessoal da escola com o problema”, afirmou.

Ela lembrou que o tanque de areia, que geralmente há nas escolas, é um meio onde se transmite facilmente a toxoplasmose, doença que é transmitida pelas fezes do gato. â€œÉ preciso muita higiene no tanque de areia”, disse. A escola Guedes de Azevedo de Bauru, por exemplo, trata a terra com água sanitária e mantém o tanque coberto quando não está sendo usado. Isso evita que gatos freqüentem o local.

Em países como os Estados Unidos existem estudos que comprovam a ocorrência de doenças e até de epidemias dentro de escolas. Em uma destas pesquisas realizadas nos Estados Unidos, publicada pelo American Journal of Infection Control, foi comprovado que a utilização de produtos bactericidas, dentro de um programa global de controle de infecções, ajudou a reduzir em 24% a ocorrência de doenças em crianças de 6 meses a 5 anos, alunos de uma escola de educação especializada, localizada em Condado de Nassau, Nova York.

Alegria e saúde Com o objetivo de introduzir noções de microbiologia às crianças, aos professores e à rede escolar e incentivar a prevenção de doenças através de cuidados com a limpeza e a desinfecção ambiental, as empresas OAK - Educação & Meio Ambiente e Reckit Benckiser vão iniciar, no dia 6 de abril, véspera do Dia Mundial da Saúde, a campanha Alegria e Saúde. A campanha vai atingir 20 mil alunos do ensino infantil e fundamental de 100 escolas particulares da capital paulista.

Além de ações educativas, que incluem a capacitação de educadores, visitas planejadas às escolas, apresentação de uma peça educativa e distribuição da revista Alegria e Saúde, será entregue às crianças o jogo Microvilões. Criado pela professora da Universidade de São Paulo (USP), Maria Lígia Carvalhal, o jogo permite a introdução de conceitos de higiene, saneamento, poluição, vacinação, infecção hospitalar, entre outros.

De acordo com a gerente administrativa da empresa OAK - Educação & Meio Ambiente, Vera Martins Gomes, a campanha vai permitir que educadores, pais e alunos estejam cada vez mais conscientes e alertas sobre a importância da prevenção de doenças infecciosas, através da adoção de hábitos saudáveis de higiene e saúde. A campanha terá a duração de três meses.