09 de julho de 2026
Cultura

O sambalanço de Jorge Ben Jor


| Tempo de leitura: 4 min

Ele se interessou pela música quando a bossa nova ainda dominava o cenário artístico brasileiro e mundial. Como a maioria dos adolescentes daqueles tempos, seu ídolo era João Gilberto, cuja voz coloquial despertava sua admiração.

Mas Jorge Menezes, conhecido no mundo inteiro como Jorge Ben Jor, passou a infância ouvindo Luiz Gonzaga e Ataulfo Alves. Em casa seus pais falavam de um certo Nelson Gonçalves que era crooner da orquestra de Severino Araújo.

Jorge Ben Jor explodiu com a música “Mas Que Nada” e logo em seguida ratificou seu talento com outro grande sucesso, “Chove Chuva”. Sucessos como esses ele apresenta no próximo sábado, na Cervejaria dos Monges.

Talvez traga ainda, tomara, músicas registradas no seu mais recente álbum, gravado em janeiro deste ano, o “Acústico MTV”. No trabalho, com 21 faixas que o fizeram voltar ao instrumento de origem - o violão - estão ainda “Charles Anjo 45”, “Balança Pema”, “Ive Brussel” e “Taj Mahal”.

Espírito inovador

Desde o início de sua carreira, Ben Jor mostrou-se inovador, com seu balanço inconfundível. No início da chamada MPB, Jorge transitava, como intérprete, pelos programas “Fino da Bossa”, comandado por Elis Regina e Jair Rodrigues, “Jovem Guarda”, de Roberto Carlos e “O Pequeno Mundo”, de Ronnie Von, que eram terrivelmente antagônicos.

Assim, um artista que participava de um desses programas, imediatamente era proibido de cantar nos outros. A única exceção era Ben Jor. Também foi o único artista já consagrado convidado a participar da tropicália, sendo presença constante do televisivo “Divino Maravilhoso”, apresentado pelos baianos Caetano Veloso, Gilberto Gil e Gal Costa e dirigido por Fernando Faro e Antonio Abujamra.

Da mesma forma e desde o final dos anos 60 até hoje, Jorge é o único compositor a ser gravado por artistas de todas as correntes musicais. “Mas Que Nada” está registrada nas vozes de Ella Fitzgerald, Dizzie Gilespie, Julio Iglesias, Al Jarreau, Trini Lopez, José Feliciano, Fred Bongusto, Mina, Nicoletta, Los Hermanos Castro e em centenas de outras gravações de cantores e grupos musicais de dezenas de países do mundo.

Quando a MPB eclodiu como movimento de união da elite musical brasileira, Eli Regina imortalizou “Zazueira”. É dela também uma ótima gravação de “Se Segura Malandro”.

Jair Rodrigues gravou “Papa Gira”. Elza Soares, Paulinho Nogueira, Maria Creuza e Tania Maria gravaram “Mas Que Nada”. Na mesma época um jovem cantor chamado Wilson Simonal despontava para o êxito em todas rádios com o supersucesso “País Tropical”, também regravada recentemente, quase 30 anos depois, por Ivan Lins.

Ainda nestes anos de grande efervescência artística Os Incríveis gravaram “Vendedor de Bananas”. Erasmo Carlos, parceiro de Roberto Carlos, também compôs com Jorge, naquela época, e gravou uma composição de ambos, “Menina Gata Augusta”.

Novos fãs, outra geração vibraria com o ritmo da sua Banda do Zé Pretinho, que há muitos anos acompanha Jorge. Entre os novos artistas gravaram suas músicas, só para citar alguns, estão Funk Como Le Gusta, Paula Lima, Simoninha, Max de Castro, Luciana Melo, Pedro Mariano, Chico César, Mundo Livre S/A, Thaíde & DJ Hum, Skank, Cidade Negra, Lulu Santos, Sandra de Sá, Marisa Monte, Ana Carolina, Daniela Mercury e Fernanda Abreu.

Até os sertanejos Chitãozinho & Xororó, Leonardo, Zezé Di Camargo & Luciano fizeram, em 1999, uma singela homenagem a Jorge, no programa “Amigos”, quando mostraram conhecer bastante o repertório de Ben Jor, cantando várias músicas com ele. Show imperdível.

Serviço

Jorge Ben Jor faz show sábado, 23h, na Cervejaria dos Monges. Ingressos promocionais antecipados no local e com promoters (preços não divulgados). Avenida Getúlio Vargas, 7-50. Informações: 234-7773.

Discografia Jorge Ben Jor

Samba Esquema Novo (1963) Sacundin Ben Samba (1964) Ben É Samba Bom (1964) Big Ben (1965) O Bidu (1967) Jorge Ben (1969) Força Bruta (1970) Negro É Lindo (1971) Ben (1972) Dez Anos Depois (1973) A Tábua de Esmeraldas (1974) Gil e Jorge (1975) Solta o Pavão (1975) Jorge Ben à L’Olympia (1975)

África Brasil (1976) A Banda do Zé Pretinho (1978) Salve Simpatia (1979) Alô, Alô, Como Vai? (1982) Bem-Vinda Amizade (1983) Dádiva (1984) Sonsual (1985) Ben Brasil (1986) Benjor (1989) Jorge Ben Jor ao Vivo no Rio (1992) 23 (1995) Ben Jor World Dance (1995) Homo Sapiens (1995) Músicas para Tocar em Elevador (1997) Acústico MTV (2002)

* A lista exclui discos lançados no exterior, coletâneas, compactos e singles