09 de julho de 2026
Regional

MST prepara marcha pela Rondon

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Guarantã - Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) devem iniciar nos próximos dias uma marcha de aproximadamente 85 quilômetros pela rodovia Marechal Rondon. O ponto inicial da caminhada será Guarantã e só deve terminar 24 horas depois com uma concentração dos participantes no Centro de Bauru.

De acordo com os organizadores, a marcha será um protesto contra a suposta demora do governo nas desapropriações de terra e contra prisões que eles consideram políticas. É esperada a participação de pelo menos 500 sem-terra, podendo chegar até 700, dependendo da adesão que o movimento receber.

A marcha deve ser formada basicamente por grupos de sem-terra de Promissão, Presidente Alves e Guarantã. Mais exatamente dos assentamentos Reunidas (Promissão), Palmares (Presidente Alves), Antônio Conselheiro (Guarantã) e dos acampamentos Dandara (Promissão) e Argentina Maria (Guarantã).

A informação sobre o início da marcha ainda é confusa. De acordo com a Secretaria Regional do MST, em Lins, a caminhada irá começar na próxima segunda-feira, ainda sem horário definido. Entretanto, um integrante do movimento, acampado em Guarantã, garantiu que a marcha está marcada para começar um dia antes, no domingo.

Independente do dia, a marcha sairá de Guarantã, assim que todos os acampados e assentados das três cidades estiverem presentes. De acordo com o roteiro traçado pelos organizadores, a única parada do grupo durante a caminhada será Presidente Alves, para pernoite.

Na manhã seguinte, os sem-terra devem retomar a marcha logo cedo. Embora os organizadores se mostrem receosos em divulgar o local aonde devem encerrar a marcha, informações extra-oficiais dão conta de que a preferência seria por um ponto na região central de Bauru; muito provavelmente a Praça Rui Barbosa, pela sua extensão. Ao chegar em Bauru, o grupo deve receber o apoio dos sem-terra do pré-assentamento Laudionor de Sousa, de Piratininga.

Segundo a secretária regional do MST, Juliana Monteiro de Sousa, a falta de detalhes sobre a marcha tem como finalidade evitar qualquer ação que possa prejudicar os participantes. De acordo com a secretária, não há previsão para o fim do protesto. Ela informou que estão programadas manifestações em Bauru, que serviriam para chamar a atenção das pessoas para a questão dos assentamentos e de prisões supostamente políticas.

Reivindicações

Os sem-terra querem maior agilidade do governo na desapropriação da Fazenda Floresta, em Promissão, localizada às margens da rodovia BR-153, onde há quatro anos está o acampamento Dandara.

Outra reivindicação do grupo diz respeito à libertação de seis integrantes do movimento que foram presos no início do ano, em Iaras, sob acusação de tentativa de homicídio, furto de gado e porte ilegal de armas. O MST considera as prisões dos sem-terra uma armação política com a finalidade de denegrir o movimento.

Segundo Juliana, a intenção do grupo é permanecer em Bauru até que as “autoridades competentes” se manifestem a respeitos dessas duas questões. Entidades sindicais como a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e o Sindicato dos Bancários estarão contribuindo com a manifestação dos sem-terra, segundo informou a secretária. Além deles, a Pastoral da Terra, ligada à Igreja Católica, também estará dando apoio ao protesto do MST.