08 de julho de 2026
Saúde

Envelhecer e ganhar peso é natural

Fabiana Teófilo
| Tempo de leitura: 2 min

Com nostalgia elas lembram dos velhos tempos, da época em que não se preocupavam com a comida e a gordura não fazia parte de suas vidas. Tereza Patrício Teófilo, 52 anos; Maudes Brisolla, 65 anos; e Edna Fodra de Oliveira, 68 anos, dizem que não se preocupam tanto com a estética. O importante é a saúde e, quanto a isso, elas afirmam que mesmo um pouco acima do peso, está tudo em perfeitas condições.

Em 1977, Tereza pesava 73 quilos, atualmente, está com 86 quilos. Ela afirma que essa mudança não afeta seu lado emocional. “Eu me sinto bem assim, nada me incomoda”, diz.

Para Edna, que em 1982 tinha 65 quilos e, atualmente pesa 72 quilos, o aumento de peso interfere em algumas situações, mas ela sabe bem como lidar com isso. Maudes também se diz satisfeita. “Fiz vários exames para checar tudo. Estou muito bem de saúde. Isso é importante”, afirma. Maudes pesa 68 quilos, mas em 1958 desfilava com seu noivo, o atual marido, com os seus 49 quilos.

Todas elas comem o que têm vontade e não se poupam com medo da balança. Elas acreditam que o importante é a pessoa ser feliz, aceitar seu corpo e entender que, mesmo gordinhas, são queridas, cobiçadas e até mesmo invejadas.

Mas nem todo mundo está satisfeito. O analista de sistemas Jorge Augusto Squiretzi, 49 anos, pesa atualmente 165 quilos. Ele, aos 20 anos, pesava 88 quilos e fica muito triste ao falar sobre o assunto. “Sou sozinho, nunca me casei e não realizei meu sonho de ser pai. Sei que isso não aconteceu porque sou gordo. As mulheres sempre se afastam de mim”, analise.

Ele faz tratamento psicológico, mas se isola das pessoas porque quando tenta se integrar em algum grupo, sempre é vítima de brincadeiras de muito mau gosto. “Prefiro ficar só mesmo entre minha família porque são pessoas que me entendem e me aceitam”, diz.

Squiretzi se apaixonou uma vez, ficou seis anos tentando conquistar uma amiga, mas conta que ela foi clara ao dizer que seria impossível ter relações com alguém do tamanho dele. “Ela disse que gostava de mim, que eu era uma boa pessoa, mas ela se preocupava com outras coisas e achou melhor não se envolver. Eu desisti”, conta com um certo ar de tristeza e desgosto.

A psicóloga de Squiretzi, Maria Cecília De Vittali explicou que é muito grave o problema quando afeta a auto-estima. “Os obesos, geralmente, são pessoas extrovertidas, engraçadas e riem da própria forma. Isso é fuga, mas não importa, assim sentem-se bem. O problema ocorre mesmo quando afeta a auto-estima, porque aí leva à depressão e pode causar sérias conseqüências”, disse.

Ela salienta que é preciso que a pessoa se aceite e depois tente melhorar aquilo que não está fazendo bem, mas de uma maneira muito tranqüila.