08 de julho de 2026
Saúde

Obesidade - Peso aumenta ao longo da vida

Fabiana Teófilo
| Tempo de leitura: 4 min

Na antigüidade, a maioria da população vivia no campo onde era necessária a ingestão de grande quantidade de alimentos altamente calóricos para que os lavradores tivessem energia suficiente para poder plantar, colher, etc. Hoje em dia, a vida em cidades, trabalho em escritórios, onde o gasto energético é ínfimo, mas a alimentação continua a mesma em calorias. Conseqüência: engordar.

O modelo alimentar do homem, e que foi seguido durante milhares de anos possibilitando a sobrevivência e a evolução da espécie, foi completamente modificado nos últimos anos. Os hábitos alimentares modernos com grandes quantidades de fast-food, pizzas, alimentos pré-cozidos, enlatados e muito calóricos, falta de exercícios entre outros, contribuem significativamente para o surgimento da obesidade em grande parte da população mundial.

Segundo estudos, 2% da população de obesos têm problemas glandulares, 8% possuem distúrbios no pâncreas, portanto são casos médicos. Porém, os 90% restantes são obesos devidos aos hábitos alimentares errados, sendo que a maioria - por causa de conflitos emocionais - come em excesso para compensar carências afetivas, ansiedade, tensão, solidão, tédio, falta de lazer etc.

A sociedade moderna, infelizmente, faz da boa mesa uma fonte de prazer. Por isso, a pessoa come muito, e o que é pior, não come os alimentos necessários e essenciais para o organismo.

A tendência é comer somente os alimentos que mais se gosta e, na maioria das vezes, não são os melhores à saúde do organismo. Comemora-se tudo com comida. Encontros, casamentos, aniversários, visitas, cinema, praias, passeios, em todas as situações o alimento não muito saudável está presente de forma marcante e, infelizmente, carregado de calorias e carboidratos (açúcar) que só fazem engordar.

As calorias ingeridas em excesso são armazenadas como gordura. Por razões ainda desconhecidas, mas que podem ter uma explicação genética, algumas pessoas engordam com mais facilidade que outras. Na verdade, pesquisadores descobriram recentemente um gene que parece provocar a obesidade. Os hormônios também podem ter alguma influência neste processo.

A maioria das pessoas engorda porque come em excesso e se exercita pouco. Há uma teoria que diz que cada um tem o seu peso ideal ajustado biologicamente, e que o organismo regula seu metabolismo em função disso sempre que essa pessoa come a mais ou a menos. Esta teoria pode ser válida, mas as pesquisas indicam que é possível mudar este ajuste de peso do organismo através de emagrecimento gradual e aumento da atividade física.

A obesidade pode parecer hereditária, mas a verdade é que pais que comem em excesso estimulam seus filhos a fazerem o mesmo. As células de gordura aparecem na infância e a mesma quantidade permanece no corpo por toda a vida. Entretanto, elas aumentam ou diminuem conforme a quantidade de gordura a ser armazenada . Por isso, uma pessoa que foi obesa na infância pode armazenar gordura mais rapidamente que alguém magra desde pequeno.

Como o metabolismo fica lento com a idade, algumas pessoas engordam quando chegam à meia-idade. Os idosos também são menos ativos. Em ambos os casos, a necessidade de calorias diminui com a idade e a ingestão de alimentos deve levar esses fatores em consideração.

“Me sinto desprezada”

Juliana Majerowicz, 24 anos, disse que ser gordinha na sociedade em que vivemos é motivo de preconceito. “Nos sentimos de fora na sociedade. O padrão de beleza rege os conceitos, então você não é bonita para os padrões, conseqüentemente não tem as mesmas chances que outras pessoas”, afirma.

Ela conta que até mesmo na concorrência por uma vaga de trabalho a aparência influencia e, ser gordinha nessa hora, pode fazer a pessoa perder a oportunidade de trabalho, independentemente de sua capacidade.

Juliana sofre também na hora de comprar roupas. “Encontrar roupas modernas do meu número é difícil, principalmente em lojas de departamentos. Para senhora, há roupas maiores, mas para jovens é difícil”, explicou.

Quando tinha 15 anos, Juliana se achava gorda. Com 58 quilos, ela procurou um médico para tentar emagrecer. Tomou um remédio e conseguiu perder os quilos indesejados, mas teve sérios problemas por causa do medicamento. Chegou a ficar internada e engordou novamente. A partir daí, Juliana ganhou mais e mais peso e, atualmente, não acredita em fórmulas, nem em dietas milagrosas. “O negócio é fechar a boca. Só assim emagrecemos com saúde. Pretendo fazer um regime, mas por enquanto vou levando assim”, disse. Atualmente, Juliana pesa 78 quilos.