08 de julho de 2026
RH & Tendências

Desemprego preocupa 42% dos jovens

Rose Araújo
| Tempo de leitura: 5 min

A falta de perspectivas no mercado de trabalho tem assustado os estudantes paulistas. Uma pesquisa realizada recentemente pelo Centro de Integração Empresa-Escola (Ciee) de São Paulo mostrou que 42% dos jovens que ainda estão cursando o ensino médio ou o superior temem não conseguir emprego quando finalizarem os estudos.

O índice supera até mesmo outras preocupações práticas, como obter a independência financeira (15%) ou melhorar a qualidade de vida (14%). O levantamento foi feito na cidade de São Paulo, com 500 estudantes entre 16 e 25 anos, tanto de rede pública quanto privada de ensino.

O temor tem fundamento, já que o mercado de trabalho no País está cada vez mais afunilado. Para conseguir garantir um futuro mais promissor, especialistas do setor fazem coro e indicam o estágio como a porta de entrada para a colocação profissional.

A assistente de recursos humanos Juliana Torres Gimenez destaca que o estudante deve interagir com a profissão desde o segundo ano do curso, seja ele técnico ou superior. “Aquela pessoa que se dedica 100% aos estudos e não procura conhecer a realidade da profissão que escolheu encontra sérias dificuldades para conseguir o primeiro emprego”, salienta.

Isso acontece, de acordo com ela, porque as empresas buscam funcionários que tenham alguma noção da rotina de trabalho. â€œÉ muito difícil uma empresa aceitar um profissional recém-formado que só tem o diploma para apresentar, sem nenhuma experiência no seu currículo”, ressalta.

O gerente de atendimento do Ciee em Bauru, Gilson de Oliveira Martins, reforça as palavras de Juliana, acrescentando que 70% dos estagiários acabam sendo efetivados na empresa depois que se formam.

Mais expressivo

Para ele, se tivesse sido realizada em Bauru e somente com estudantes do último período, a pesquisa teria mostrado números muito mais expressivos. “Quando vai se aproximando o fim do curso, os alunos vão ficando mais temerosos com relação à sua entrada no mercado de trabalho”, frisa Martins.

O estudante de administração de empresas, Allans Iochiride Hokama, que vai se formar no final deste ano, não está colocando muita fé apenas no diploma. “O mercado de trabalho está muito competitivo e não dá para contar só com o curso superior; é preciso se especializar”, ressalta.

Ele faz estágio em um banco público e já está preocupado com o final do ano. Como a instituição é do governo, ele não terá chance de ser contratado ao término do curso. Dessa forma, terá de se preparar para enfrentar a corrida por um posto no mercado de trabalho.

Martins, do Ciee, lembra que muitos alunos acabam adiando a sua despedida dos bancos escolares só para ficar mais tempo no estágio. “Tem gente que prorroga o quanto pode o final da faculdade, deixando disciplinas para serem cursadas posteriormente, adiando o projeto, só para conseguir continuar na empresa em que estão estagiando e absorver um conteúdo mais aprofundado”, atesta o gerente do Ciee.

A legislação trabalhista determina que a empresa não é obrigada a remunerar seus estagiários. No entanto, boa parte delas prefere dar uma bolsa-auxílio em troca de um bom serviço realizado pelo estudante. De acordo com Martins, o valor dessa remuneração gira em torno de R$ 200,00 a R$ 250,00 para alunos do nível médio e técnico, e R$ 300,00 a R$ 400,00 para universitários.

Quanto à carga horária, ela pode chegar a oito horas diárias, dependendo da empresa. Martins diz que o ideal é que ela não ultrapasse as sete horas diárias, para que o estagiário tenha tempo de se dedicar aos estudos. “Eu costumo deixar claro para as empresas que, se o aluno precisar de um horário para fazer aulas de laboratório durante o período de trabalho, ele tem direito de se ausentar para não atrapalhar a conclusão do curso”, destaca.

O Ciee de Bauru tem cerca de seis mil estudantes inscritos atualmente. Como a cidade é um pólo educacional, com sete instituições de ensino superior, o movimento na instituição é intenso. “Nós recebemos alunos de todas as áreas aqui em busca de um estágio”, diz Martins.

No início do ano a procura é bem maior, com cerca de 500 inscrições mensais.

Todo esse interesse não encontra respaldo nas empresas da região. “Ainda falta ao empresariado local uma certa sensibilidade em relação a programas de estágio. Muitos ainda desconhecem o benefício que os estudantes podem trazer para sua empresa, já que podem gerar recursos humanos a um custo baixo”, explica.

Outros caminhos

Prestar concursos públicos é outra saída para quem está em busca de uma colocação profissional. Allans Iochiride Hokama, estudante de administração, conta que, entre seus colegas de turma, a idéia de se dedicar a esse tipo de prova é discutida com muita freqüência. â€œÉ uma maneira de garantir melhores oportunidades de emprego”, destaca Hokama.

A assistente de recursos humanos Juliana Gimenez lembra que o programa de treinèe também é uma boa oportunidade para os recém-formados conseguirem se posicionar no mercado de trabalho. Através dele, é possível conseguir uma vaga em empresas de médio e grande porte, adquirindo experiência e aprofundando os conhecimentos no setor.

O programa tem duração de um ano. Através dele, a empresa deposita todas as suas fichas no recém-formado, dando a ele uma sólida formação dentro da sua estrutura. O treinèe, diferentemente do estagiário, tem vínculo empregatício com a companhia, recebe uma remuneração bem melhor e tem direito a todos os benefícios trabalhistas, inclusive plano de saúde e vale refeição, se for o caso.

Dicas sobre estágio

Não dispense as opotunidades de estagiar, mesmo que a remuneração seja baixa ou nem exista; tudo poderá somar ao seu currículo

- Envolva-se com a sua profissão desde o início dos estudos, informando-se sobre assuntos relativos à área

- Peça ao supervisor para passar por todas os setores da empresa durante o período em que estiver estagiando; isso é fundamental para ficar por dentro das rotinas da companhia

- Invista no seu potencial, estudando idiomas e informática

- Mostre suas habilidades criativas, de espírito de equipe, de flexibilidade e de iniciativa

- Aperfeiçoe o seu potencial intelectual, acompanhando os noticiários diariamente e informando-se sobre assuntos específicos de sua área