O vereador Milton Dota Jr. (PTB) denunciou ontem, da tribuna da Câmara Municipal, que o horto florestal de Aimorés, de propriedade da Ferrovia Paulista S/A (Fepasa), foi invadido por grileiros. Segundo ele, por trás da invasão está o comando de grupos econômicos sediados em Bauru. O parlamentar se reservou ao direito de não citar nomes.
O petebista disse que hoje vai protocolar representação no Ministério Público do Estado pedindo intervenção na defesa do patrimônio público. Anunciou, ainda, que vai informar a situação ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e ao Ministério da Reforma Agrária.
Dota Jr. garante que a área, de 5,4 mil hectares, está reservada para assentamentos ao trabalhadores sem-terra. A gleba ocupa terras dos Municípios de Bauru e Pederneiras, na região do Distrito de Aimorés, e margeia a linha ferroviária da Ferrovia Bandeirantes (Ferroban), operadora remanescente da Fepasa.
O vereador explica que ontem percorreu a área e observou que, em alguns locais, já é possível notar a instalação de cercas de madeiras. â€œÉ grilagem descarada. A área já está toda cercada, com gado, com cultura, sendo desbravada na sua mata nativa e artificial.â€
A preocupação do parlamentar reside na inércia da Fepasa que, segundo ele, até o momento não se preocupou em tentar reaver as glebas. “Esse patrimônio é do povo. Sei que essa situação envolve vários interesses de gente poderosa, inclusive de Bauru.â€
O petebista garante que há um decreto assinado pelo então governador Mário Covas, em 2000, destinando os 5,4 mil hectares para assentamento agrícola. “Vou tentar agendar uma audiência com o governador Geraldo Alckmin para que ele monte uma força-tarefa de advogados e procuradores do Estado, com o objetivo de defender o patrimônio público do Estado.â€
Dota Jr. acredita que os invasores estão interessados em promover especulação imobiliária com a ocupação da gleba. “São grupos de especuladores imobiliários. São pessoas de Bauru ligadas ao capital e que querem fazer especulação imobiliária.â€
A reportagem do Jornal da Cidade foi até o local ontem, por volta das 16h30, e constatou a instalação de cercas ainda em sua fase inicial. Ninguém foi localizado para comentar o assunto. Não foi possível contactar a direção liqüidante da Fepasa para dar a sua versão do fato, o que será feito hoje.