Por acaso assisti na telinha parte de um debate sobre educação, no qual uma debatedora afirmou que Platão dissera que a invenção da escrita havia de afetar a memória. Será que sem a escrita as brilhantes idéias do filósofo teriam chegado até nossos dias? E olha lá que Platão, positivamente, não conheceu o bom papel, que verdadeiramente revolucionou o manuscrito e a impressão. Por falar nisso, abrindo parênteses, uma escola de samba de São Paulo apresentou no desfile deste ano a história do papel contada à moda carnavalesca. Voltando aos trilhos: o que dizer do computador com o qual a gente escreve e guarda o texto na memória do dito-cujo? De minha parte, não saberia rescrever na íntegra um texto produzido anteriormente; salvado no arquivo do computador, a minha fraca memória só tem a tarefa, nem sempre fácil, de lembrar o título. (O vereador Garmes é que é “isento†de “lapsus memoriaeâ€...) Mas, o que teria dito o sábio Platão se ele tivesse conhecido a “maledetta†invenção da escrita eletrônica, que tem memória própria?
PS - Escoltado por Fátima e Cilene, visitei a bem cuidada e simpática Lucianópolis, que me pareceu uma pequena cidade saída das páginas de “A Repúblicaâ€, de Platão. (Omar Barreto - RG 5.663.388-9)