Os bueiros, que para as crianças são uma perigosa brincadeira - três crianças ficaram presas na rede de esgoto no último sábado em Bauru -, também acabam virando depósito de lixo. Tapetes, peças de isopor, carcaças de computador, cadeiras, quadros de bicicleta e sacos de lixo são alguns dos objetos que causam problemas graves na captação de água quando lançados em bueiros.
Por esse motivo, as bocas-de-lobo necessitam de manutenção periódica por parte de Prefeitura Municipal de Bauru. “A falta de consciência da população causa problemas sériosâ€, frisa Edmilson Queiroz, titular da Secretaria Municipal de Obras. Em parceria com a Secretaria Municipal das Administrações Regionais, ela é a responsável pela limpeza e manutenção dos bueiros de Bauru.
O lixo que é depositado ou arrastado até os bueiros - por descuido de cidadãos - causa perda da capacidade de captação de água pelas galerias de águas pluviais. A conseqüência são enxurradas na superfície das vias públicas que geram buracos, erosões, inundações e acidentes.
Celso Donizeti, secretário municipal das Administrações Regionais alerta que as bocas-de-lobo também são muitas vezes utilizadas para esconder objetos furtados. No entanto, o maior problema é o lixo. “As pessoas têm que evitar utilizar os bueiros como alternativa para se livrar do lixo doméstico. Às vezes elas perdem o horário da coleta da Emdurb e jogam nas bocas-de-loboâ€, diz.
Outro agravante desse problema, de acordo com Antônio Pires, chefe do Setor de Construção e Manutenção da Secretaria de Obras, são os materiais de construção armazenados nas calçadas. Com as chuvas, areia, pedras e até tijolos são arrastados para os bueiros.
Pires conta que, para a manutenção das bocas-de-lobo, muitas vezes é necessário auxílio de um caminhão-pipa e de uma retroescavadeira. “Se a caixa central também fica obstruída, é necessário abrir o asfalto e tirar terra para retirar a tampa da caixa e limparâ€, explica.
Na tarde de ontem, os fotógrafos do JC flagraram diversos bueiros entupidos. Entre eles, estavam os das esquinas das avenidas Nações Unidas com Rodrigues Alves e avenida Duque de Caxias com rua Maria José, ambos no Centro. Na rua Cristóvão Sanches, no Popular Ipiranga - local por onde os três meninos entraram na rede de galerias no último sábado -, a tampa do bueiro estava quebrada.
Queiroz, da Secretaria de Obras, afirma que muitas bocas-de-lobo são quebradas em ações de vandalismo ou em manobras de motoristas descuidados. Elas são reparadas quando há denúncias ou quando os fiscais da prefeitura detectam o problema.
Grades
A instalação de grades nas entradas dos bueiros é apontada como uma alternativa para amenizar o problema das obstruções, impedindo a entrada de objetos grandes. Além disso, evitaria acidentes ou ações imprudentes de pessoas que entram na rede de galerias, como os três meninos que aventuraram-se no sábado passado e necessitaram da ajuda do Corpo de Bombeiros para sair do local.
Na opinião de Pires, as grades não seriam a solução adequada. Ele afirma que, se instaladas nos bueiros da cidade, elas provocariam a diminuição da captação de água em cerca de 40%. “Os lixos que a enxurrada arrasta obstruem a passagem de água, fazendo com que a água passe diretoâ€, justifica.
O funcionário da Secretaria de Obras salienta, ainda, que as grades são utilizadas na extensão da via pública somente em locais em que a estrutura da calçada não permite a instalação de bueiros.
Quanto aos acidentes ou “aventurasâ€, Pires faz um alerta. “Se der uma chuva e a pessoa estiver dentro da rede, ela é arrastada pela enxurrada. É um perigo. Ela também pode se cortar com ferro e vidros ou contrair doençasâ€, destaca.
Outra dica para evitar acidentes é não passar por locais de enxurrada ou inundações, que tendem a arrastar as pessoas para os bueiros.