09 de julho de 2026
Bairros

Bueiro recebe de lixo a móvel velho

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 3 min

Os bueiros, que para as crianças são uma perigosa brincadeira - três crianças ficaram presas na rede de esgoto no último sábado em Bauru -, também acabam virando depósito de lixo. Tapetes, peças de isopor, carcaças de computador, cadeiras, quadros de bicicleta e sacos de lixo são alguns dos objetos que causam problemas graves na captação de água quando lançados em bueiros.

Por esse motivo, as bocas-de-lobo necessitam de manutenção periódica por parte de Prefeitura Municipal de Bauru. “A falta de consciência da população causa problemas sérios”, frisa Edmilson Queiroz, titular da Secretaria Municipal de Obras. Em parceria com a Secretaria Municipal das Administrações Regionais, ela é a responsável pela limpeza e manutenção dos bueiros de Bauru.

O lixo que é depositado ou arrastado até os bueiros - por descuido de cidadãos - causa perda da capacidade de captação de água pelas galerias de águas pluviais. A conseqüência são enxurradas na superfície das vias públicas que geram buracos, erosões, inundações e acidentes.

Celso Donizeti, secretário municipal das Administrações Regionais alerta que as bocas-de-lobo também são muitas vezes utilizadas para esconder objetos furtados. No entanto, o maior problema é o lixo. “As pessoas têm que evitar utilizar os bueiros como alternativa para se livrar do lixo doméstico. Às vezes elas perdem o horário da coleta da Emdurb e jogam nas bocas-de-lobo”, diz.

Outro agravante desse problema, de acordo com Antônio Pires, chefe do Setor de Construção e Manutenção da Secretaria de Obras, são os materiais de construção armazenados nas calçadas. Com as chuvas, areia, pedras e até tijolos são arrastados para os bueiros.

Pires conta que, para a manutenção das bocas-de-lobo, muitas vezes é necessário auxílio de um caminhão-pipa e de uma retroescavadeira. “Se a caixa central também fica obstruída, é necessário abrir o asfalto e tirar terra para retirar a tampa da caixa e limpar”, explica.

Na tarde de ontem, os fotógrafos do JC flagraram diversos bueiros entupidos. Entre eles, estavam os das esquinas das avenidas Nações Unidas com Rodrigues Alves e avenida Duque de Caxias com rua Maria José, ambos no Centro. Na rua Cristóvão Sanches, no Popular Ipiranga - local por onde os três meninos entraram na rede de galerias no último sábado -, a tampa do bueiro estava quebrada.

Queiroz, da Secretaria de Obras, afirma que muitas bocas-de-lobo são quebradas em ações de vandalismo ou em manobras de motoristas descuidados. Elas são reparadas quando há denúncias ou quando os fiscais da prefeitura detectam o problema.

Grades

A instalação de grades nas entradas dos bueiros é apontada como uma alternativa para amenizar o problema das obstruções, impedindo a entrada de objetos grandes. Além disso, evitaria acidentes ou ações imprudentes de pessoas que entram na rede de galerias, como os três meninos que aventuraram-se no sábado passado e necessitaram da ajuda do Corpo de Bombeiros para sair do local.

Na opinião de Pires, as grades não seriam a solução adequada. Ele afirma que, se instaladas nos bueiros da cidade, elas provocariam a diminuição da captação de água em cerca de 40%. “Os lixos que a enxurrada arrasta obstruem a passagem de água, fazendo com que a água passe direto”, justifica.

O funcionário da Secretaria de Obras salienta, ainda, que as grades são utilizadas na extensão da via pública somente em locais em que a estrutura da calçada não permite a instalação de bueiros.

Quanto aos acidentes ou “aventuras”, Pires faz um alerta. “Se der uma chuva e a pessoa estiver dentro da rede, ela é arrastada pela enxurrada. É um perigo. Ela também pode se cortar com ferro e vidros ou contrair doenças”, destaca.

Outra dica para evitar acidentes é não passar por locais de enxurrada ou inundações, que tendem a arrastar as pessoas para os bueiros.