10 de julho de 2026
Regional

Marcha do MST por 'justiça e paz' deve chegar hoje em Bauru

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

Presidente Alves - Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) iniciaram na noite de anteontem a marcha rumo a Bauru, onde pretendem protestar contra a demora do governo na desapropriação de terras e contra a prisão de seis “companheiros”, em Iaras, no fim de janeiro. A caminhada, que pode chegar hoje a Bauru, foi batizada pelos organizadores como a “marcha por justiça e paz”.

Cerca de 200 pessoas estão concentradas no assentamento Palmares, em Presidente Alves. De lá a marcha deve seguir em direção a Bauru. O ponto final ainda não foi divulgado pelos organizadores do evento, mas é provável que fiquem acampados na região central da cidade, mais precisamente na praça Rui Barbosa.

Além dos assentados de Presidente Alves, participam da marcha grupos de sem-terra de Promissão e Guarantã. Mais exatamente dos assentamentos Reunidas (Promissão), Antônio Conselheiro (Guarantã) e dos acampamentos Dandara (Promissão) e Argentina Maria (Guarantã). Em Bauru, o grupo deve receber o apoio de sem-terra do pré-assentamento Laudionor de Sousa, de Piratininga.

Segundo informações de integrantes do movimento, a marcha deve ser retomada hoje de manhã, com chegada em Bauru prevista para o fim da tarde. No entanto, “problemas internos” poderão mudar os planos dos organizadores, segundo informou uma integrante do MST, que se identificou apenas como Cida. Ela não quis entrar em detalhes sobre os tais “problemas”.

“Em princípio, a marcha recomeça amanhã (hoje) cedo. Mas às vezes é preciso recuar”, disse Cida, sem mais explicações. Segundo ela, um ônibus deve acompanhar a marcha no trajeto entre Presidente Alves e Bauru. No veículo devem viajar as crianças e os mais idosos, enquanto os mais jovens caminham pelo acostamento da rodovia Marechal Rondon, acompanhados de perto pela Polícia Rodoviária

Em entrevista ao Jornal da Cidade na semana passada, a secretária regional do MST em Lins, Juliana Monteiro de Sousa, disse que não há previsão para o fim do protesto. Ela informou que estão programadas manifestações em Bauru, que serviriam para chamar a atenção das pessoas para a questão dos assentamentos e de prisões consideradas políticas pelo movimento.

Os sem-terra querem maior agilidade do governo, principalmente na desapropriação da Fazenda Floresta, em Promissão, localizada às margens da rodovia BR-153, onde há quatro anos está o acampamento Dandara.

Outra reivindicação do grupo diz respeito à libertação de seis integrantes do movimento que foram presos no início do ano, em Iaras, sob acusação de tentativa de homicídio, furto de gado e porte ilegal de armas. O MST considera as prisões dos sem-terra uma armação política com a finalidade de denegrir o movimento.

Segundo Juliana, a intenção do grupo é permanecer em Bauru até que as “autoridades competentes” se manifestem a respeitos dessas duas questões.