Fome... é o reflexo mais doloroso de um sistema político-administrativo fracassado, é o ponto culminante do desrespeito à vida e ao ser humano.
Quem assistiu aos noticiários veiculados pela televisão nos últimos dias 14 e 15 de março viu o funcionário-comissário da ONU (Organização das Nações Unidas), Jean Ziegler, visitar a Baixada Fluminense e, juntamente com todos os telespectadores, indignar-se com a situação de miséria das crianças daquela região. Desnutrição... esse foi o fato mais grave constatado naquele oceano de injustiça social. Tão logo aquelas imagens encheram os vídeos e os responsáveis começaram a receitar a forma que seria adotada para combater a caótica situação. Lembrei-me de Bauru que enfrentou, há pouco menos de dez anos, na administração Tidei de Lima, quadro semelhante.
Quem não se lembra da cesta-básica infantil, implantada aqui em Bauru, no período citado? A cesta-básica infantil além de conter alimentos próprios para as crianças, até três anos de idade, também proporcionava materiais para a higiene da mãe e do bebê. As instituições promoviam inúmeros eventos na periferia, principalmente nas favelas, cadastrando, treinando e orientando as mães com mínimos princípios de higiene para melhor utilizarem os componentes da cesta-básica infantil.
As crianças aqui beneficiadas eram da ordem de três mil. Lembro-me ainda que Bauru saboreou índices importantes de queda de mortalidade infantil, atribuídos em grande parte à política implantada na ocasião e saudados com orgulho em manchete desse importante jornal.
Acredito que nossas autoridades municipais poderiam fornecer dados dessa ação político-social, a mais bem sucedida em Bauru nos últimos anos, de combate à desnutrição, ao governo fluminense ou à Prefeitura de São João de Mereti, cidade focalizada na reportagem. Mata a nossa saudade e contribui para que outros possam enfrentar seus desafios sociais. (Leandro Lopes - RG: 29.284.300-8)