Um banho de arte contemporânea. Isso é o que o público que vai à 25ª Bienal Internacional de São Paulo, que abre neste domingo, com previsão de público de 400 mil pessoas, pode esperar do evento mais badalado das artes visuais no Brasil. A abertura oficial, para convidados, acontece hoje, às 18 horas.
Como diferencial em relação aos últimos anos, desta vez a Bienal não terá artistas como Picasso, Magritte e Van Gogh. Os organizadores esperam, com isso, além da contenção de gastos, situar a mostra entre as exposições mundiais que privilegiam artistas contemporâneos.
“Não há a mínima necessidade da Bienal fazer núcleo histórico. Existem museus que ocupam este espaço muito bem. Eu poderia citar, como exemplo, o acervo do Masp e exposições recentes como a de arte egípcia e a do expressionismo alemãoâ€, diz o curador-geral da Bienal, o alemão Alfons Hug.
Segundo ele, estrelas contemporâneas, como o norte-americano Jeff Koons, que terá uma sala especial, serão “picassos†dentro de 20 anos. “Quando Picasso veio com a Guernica, nos anos 50, ele era um artista contemporâneoâ€.
Sob o tema “Iconografias Metropolitanasâ€, que também é o nome do núcleo principal, a Bienal tem dois eixos principais: um deles apresenta 12 mostras correspondentes a 11 cidades reais e uma imaginária. O outro segmento, “Representações Nacionalâ€, envolve 70 países, com um artista cada.
Hug selecionou as seguintes metrópoles: São Paulo, Caracas, Nova York, Johanesburgo, Istambul, Pequim, Tóquio, Sidney, Londres, Berlim e Moscou. Cada cidade será representada por cinco artistas. Esta será a primeira vez que a exposição terá um curador estrangeiro.
Para alguns críticos, a extinção do núcleo histórico é um mal necessário. Apesar de haver o risco da escolha afugentar parte do público, principalmente aquele que nunca foi à uma exposição de arte, por outro lado será uma chance de divulgar o trabalho de artistas contemporâneos, mesmo que o grande público os ignore.
Nove artistas terão salas especiais no evento. São eles: Julião Sarmento (Portugal), Sean Scully (Irlanda), Thomas Ruff (Estados Unidos), Andreas Gursky (Alemanha), Jeff Koons (Estados Unidos), Vanessa Beecroft (Itália), Carlos Fajardo (Brasil), Nelson Leirner (Brasil) e Karin Lambrecht (Brasil).
“A Bienal será verdadeiramente global e universal, com participação de países dos cinco continentes. Nunca houve tantos países, nunca houve um apelo tão internacionalâ€, declara Hug, que considerada São Paulo “a capital cultural do hemisfério sulâ€. “A cidade tem que assumir essa vocação, que nem sempre foi o caso no passado. Desta vez ela vai estar no centro do mapa.â€
Para o curador, a escolha de metrópoles “negligenciadas†como Caracas, Johanesburgo e Pequim, em detrimento a Paris, Londres e Viena, por exemplo, é uma atitude política. “A Bienal de Veneza e a Documenta Kassel, da Alemanha, são projetos eurocêntricas. Esta Bienal será muito mais universalâ€, compara.
Apesar do discurso otimista de Hug, a preparação da 25ª Bienal foi marcada por crises institucionais. O primeiro curador escolhido, Ivo Mesquita, saiu trocando farpas com o presidente da Fundação Bienal. Carlos Bratke. Por duas vezes, o evento foi adiado, até ser confirmado para este ano.
Comenta-se entre curadores e críticos que as confusões, iniciadas há quatro anos, tenha arranhado a imagem da Bienal no exterior.
Fora do eixo
Com curadoria de Agnaldo Farias, a representação brasileira na Bienal vai seguir o tom experimental. Obras de artistas como Hélio Oiticica, Volpi e Tarsila do Amaral darão lugar para artistas desconhecidos do público, muitos de fora do eixo Rio-São Paulo.
“A obra de ar0te mais antiga terá dez anos, será bem contemporâneo mesmoâ€, explica Farias. Em relação às escolhas, o curador argumenta que o circuito comercial de Rio de Janeiro e São Paulo costuma ignorar artistas de outros estados. “A arte brasileira tem muito mais matizes que se propaga.â€
Serviço
25ª Bienal Internacional de São Paulo, no Pavilhão da Bienal, Parque do Ibirapuera, portão 3. Abertura amanhã, das 10h às 14h. Término: 2 de junho. Horários: de terças a sextas, das 13h às 21h. Sábados e domingos, das 10h às 22h. Ingressos: R$ 12,00 (inteira) e R$ 6,00 (meia). Crianças de até 6 anos, estudantes de escolas públicas e pessoas com mais de 65 anos não pagam. Visitas guiadas podem ser agendadas pelo telefone (11) 5574-5922, ramal 271, ou pelo e-mail bienal. agenda@uol.com.br