10 de julho de 2026
Cultura

Bienal de São Paulo abrirá amanhã

Fabiano Alcântara
| Tempo de leitura: 4 min

Um banho de arte contemporânea. Isso é o que o público que vai à 25ª Bienal Internacional de São Paulo, que abre neste domingo, com previsão de público de 400 mil pessoas, pode esperar do evento mais badalado das artes visuais no Brasil. A abertura oficial, para convidados, acontece hoje, às 18 horas.

Como diferencial em relação aos últimos anos, desta vez a Bienal não terá artistas como Picasso, Magritte e Van Gogh. Os organizadores esperam, com isso, além da contenção de gastos, situar a mostra entre as exposições mundiais que privilegiam artistas contemporâneos.

“Não há a mínima necessidade da Bienal fazer núcleo histórico. Existem museus que ocupam este espaço muito bem. Eu poderia citar, como exemplo, o acervo do Masp e exposições recentes como a de arte egípcia e a do expressionismo alemão”, diz o curador-geral da Bienal, o alemão Alfons Hug.

Segundo ele, estrelas contemporâneas, como o norte-americano Jeff Koons, que terá uma sala especial, serão “picassos” dentro de 20 anos. “Quando Picasso veio com a Guernica, nos anos 50, ele era um artista contemporâneo”.

Sob o tema “Iconografias Metropolitanas”, que também é o nome do núcleo principal, a Bienal tem dois eixos principais: um deles apresenta 12 mostras correspondentes a 11 cidades reais e uma imaginária. O outro segmento, “Representações Nacional”, envolve 70 países, com um artista cada.

Hug selecionou as seguintes metrópoles: São Paulo, Caracas, Nova York, Johanesburgo, Istambul, Pequim, Tóquio, Sidney, Londres, Berlim e Moscou. Cada cidade será representada por cinco artistas. Esta será a primeira vez que a exposição terá um curador estrangeiro.

Para alguns críticos, a extinção do núcleo histórico é um mal necessário. Apesar de haver o risco da escolha afugentar parte do público, principalmente aquele que nunca foi à uma exposição de arte, por outro lado será uma chance de divulgar o trabalho de artistas contemporâneos, mesmo que o grande público os ignore.

Nove artistas terão salas especiais no evento. São eles: Julião Sarmento (Portugal), Sean Scully (Irlanda), Thomas Ruff (Estados Unidos), Andreas Gursky (Alemanha), Jeff Koons (Estados Unidos), Vanessa Beecroft (Itália), Carlos Fajardo (Brasil), Nelson Leirner (Brasil) e Karin Lambrecht (Brasil).

“A Bienal será verdadeiramente global e universal, com participação de países dos cinco continentes. Nunca houve tantos países, nunca houve um apelo tão internacional”, declara Hug, que considerada São Paulo “a capital cultural do hemisfério sul”. “A cidade tem que assumir essa vocação, que nem sempre foi o caso no passado. Desta vez ela vai estar no centro do mapa.”

Para o curador, a escolha de metrópoles “negligenciadas” como Caracas, Johanesburgo e Pequim, em detrimento a Paris, Londres e Viena, por exemplo, é uma atitude política. “A Bienal de Veneza e a Documenta Kassel, da Alemanha, são projetos eurocêntricas. Esta Bienal será muito mais universal”, compara.

Apesar do discurso otimista de Hug, a preparação da 25ª Bienal foi marcada por crises institucionais. O primeiro curador escolhido, Ivo Mesquita, saiu trocando farpas com o presidente da Fundação Bienal. Carlos Bratke. Por duas vezes, o evento foi adiado, até ser confirmado para este ano.

Comenta-se entre curadores e críticos que as confusões, iniciadas há quatro anos, tenha arranhado a imagem da Bienal no exterior.

Fora do eixo

Com curadoria de Agnaldo Farias, a representação brasileira na Bienal vai seguir o tom experimental. Obras de artistas como Hélio Oiticica, Volpi e Tarsila do Amaral darão lugar para artistas desconhecidos do público, muitos de fora do eixo Rio-São Paulo.

“A obra de ar0te mais antiga terá dez anos, será bem contemporâneo mesmo”, explica Farias. Em relação às escolhas, o curador argumenta que o circuito comercial de Rio de Janeiro e São Paulo costuma ignorar artistas de outros estados. “A arte brasileira tem muito mais matizes que se propaga.”

Serviço

25ª Bienal Internacional de São Paulo, no Pavilhão da Bienal, Parque do Ibirapuera, portão 3. Abertura amanhã, das 10h às 14h. Término: 2 de junho. Horários: de terças a sextas, das 13h às 21h. Sábados e domingos, das 10h às 22h. Ingressos: R$ 12,00 (inteira) e R$ 6,00 (meia). Crianças de até 6 anos, estudantes de escolas públicas e pessoas com mais de 65 anos não pagam. Visitas guiadas podem ser agendadas pelo telefone (11) 5574-5922, ramal 271, ou pelo e-mail bienal. agenda@uol.com.br