08 de julho de 2026
Auto Mercado

Um carrinho de lixo diferente

Redação
| Tempo de leitura: 2 min

Os catadores de lixo travam uma luta diária contra a exclusão social. Muitos encontram resistência ao recolher no lixo materiais que podem ser reaproveitados. No entanto, eles têm uma enorme importância econômica e ambiental, por realizar a coleta seletiva e permitir a reciclagem.

Com o objetivo de chamar a atenção para a situação dessas pessoas, o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) de São Paulo desenvolveu um veículo projetado pelo artista polonês Krzysztof Wodiczko que procura adaptar esses indivíduos às novas condições metropolitanas.

O carrinho está em exposição até 30 de abril na quarta edição da mostra Artecidadezonaleste, evento em andamento no Sesc Belenzinho, na capital paulista, que reúne 26 trabalhos de grandes artistas e arquitetos. Pesando 200 quilos e feito em alumínio e aço, é capaz de transportar até 600 quilos de papel e servir de cama para os catadores. Também é dotado de tração elétrica, painel solar e um compartimento para guardar água, comida e ração para cachorro.

As rodas para empurrá-lo podem ser de motocicleta ou de charrete e a sua lateral foi projetada para receber propaganda institucional de futuros patrocinadores interessados no projeto. Seu custo estimado é de US$ 1.000.

A proposta inicial de Krzysztof Wodiczko, conhecido mundialmente por suas projeções políticas em monumentos históricos e prédios públicos, consiste em desenvolver “veículos críticos” para populações deslocadas - ele já os desenhou para migrantes, camelôs e grupos de sem-teto - que ocupam áreas da zona leste de São Paulo.

Em entrevista à revista Época, Wodiczko disse ter ficado impressionado com a organização dos catadores de papel e, por isso, resolveu criar um veículo para torná-los visíveis em uma cidade que os ignora. “Eles recolhem 500 toneladas de material reciclável por dia, ajudam a livrar a cidade de seu lixo e ainda são acusados de perturbar o trânsito”, afirmou o polonês.

Polêmico

Polêmica também é sua marca registrada. Chegou a se indispor com a Embaixada da África do Sul em Londres por colocar suásticas em suas paredes e emocionou o mundo com depoimentos filmados de sobreviventes da explosão atômica de Hiroshima. “Minha geração cresceu entre as ruínas da guerra e não posso negar que tudo o que faço é um tributo à memória da minha família, morta pelos nazistas”, afirmou Wodiczko à Época.

Antinacionalista, suas projeções em larga escala redefiniram o conceito de arte política. A mais lembrada delas foi feita em 1985 num arco memorial em Brooklin, com simbólicos missais e correntes. A estrutura imponente celebrava a guerra civil até a intervenção do polonês, que a transformou em um manifesto contra a violência. “Consegui dar vida a monumentos como o da Paz, em Hiroshima, ponto turístico fotografado sem emoção”, concluiu ele à revista.