Os sem-terra continuam em Bauru, com planos de montar acampamento na cidade nos próximos dias. O grupo, que está em Bauru desde quarta-feira passada, reivindica uma audiência com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para tratar da desapropriação das fazendas Pasto dos Zinco e Pasto do Planalto, localizadas em Guarantã, e a entrega de título de posse aos assentados na fazenda São José, em Piratininga.
A decisão sobre o acampamento em Bauru deve ser tomada hoje. “Já está decidido que vamos ficar em Bauru. Provavelmente amanhã (hoje) cedo vamos fazer uma assembléia para decidir sobre o acampamento e depois sair para procurar uma áreaâ€, afirma Leonildo Dionísio Ribeiro, coordenador regional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
Segundo ele, as barracas deverão ser montadas em uma área do perímetro urbano, já que o objetivo dos sem-terra é conseguir uma audiência com o Incra, e não ocupar novas terras. “Vamos escolher uma área dentro da cidade para acampar até negociar com o Incra a emissão do título de posse e assentamento de famílias que estão em fazendas já desapropriadasâ€, explica.
Nesta semana, de acordo com Ribeiro, os sem-terra pretendem pedir ajuda ao prefeito Nilson Costa, ao bispo diocesano dom Luiz Antonio Guedes e ao comando da Polícia Militar (PM) em Bauru para tentar a audiência com o Incra. O grupo de Bauru também deve reivindicar às autoridades a liberação dos 16 sem-terra presos na fazenda da família de Fernando Henrique Cardoso, em Minas Gerais.
Ontem pela manhã, com bandeiras do MST, os sem-terra participaram da missa de Ramos celebrada na Catedral do Divino Espírito Santo pelo bispo dom Luiz Antonio Guedes. “Todo o grupo, católicos, evangélicos ou espírita, assistiu a missa porque queremos dar sentido ecumênico ao movimentoâ€, conta um dos integrantes do MST, que preferiu não se identificar.
Até o início da noite, o grupo de sem-terra - cerca de 250 pessoas, segundo a coordenação do movimento - estava alojado nos sindicatos dos Bancários e Metalúrgicos, ambos na região central da cidade. Os sem-terra contam com contribuições de sindicatos e da Igreja Católica para comprar alimentos, além de dinheiro arrecadado de casa em casa na cidade.
Os sem-terra, oriundos de Guarantã, Promissão e Presidente Alves, chegaram a Bauru, na última quarta-feira à noite, a pé, em um movimento denominado por eles como Marcha por Justiça e Paz. Na quinta-feira fizeram passeata pela cidade e protesto em frente ao prédio da prefeitura e na sexta-feira bloquearam a rodovia Marechal Rondon por 1h30.