10 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Getúlio Vargas: o pai dos pobres/ FHC: o pai dos patrões

Marcelo Carneiro
| Tempo de leitura: 2 min

A partir de 1870, o Brasil atravessa por uma fase de grandes eclosões de campanhas abolicionistas. Profissionais liberais, estudantes, industriais, políticos, sacerdotes e militares, todos pertencentes à classe média urbana apoiavam pelo fim da escravidão para o crescimento industrial, comercial e moral do País, sendo que uma sociedade escravocrata, por não serem assalariados não poderiam ser consumidores, além do que os maus-tratos cometidos aos escravos já eram uma vergonha mundial para o País. Leis em prol dos escravos foram criadas, tais como a “Lei do Ventre Livre”, de setembro de 1871, que dava direito à liberdade aos filhos de escravas nascidos a partir daquela data, e a “Lei do Sexagenário”, de 1885, que tornava libertos os escravos acima de 70 anos de idade. Com isso, em 13 de maio de 1888chega ao fim a escravidão e, mais tarde, em 15 de novembro de 1889, o Brasil deixa de ser uma colônia portuguesa para ser um país livre.

Os trabalhadores negros tornam-se assalariados, junto dos brancos pobres que já estavam no Brasil e os imigrantes europeus que chegavam em massa para trabalhar nas lavouras de café e em outros campos em que se precisavam de gente para trabalhar. Trabalhavam sem direito algum; sem aposentadoria, a mulher gestante era dispensada do trabalho sem nenhum direito, não havia direito a férias, nem décimo terceiro salário e também não existia salário mínimo. O Brasil era governado, nesse período, por ricos fazendeiros que se alternavam no governo, ora cafeicultores de São Paulo ora criadores de gado leiteiro de Minas Gerais, daí o nome de política do “café-com-leite”.

Foi quando, farto da exploração do povo brasileiro, o País passa por uma série de movimentos revolucionários, mas só com “a revolução de 1930”, liderada por Getúlio Vargas, que se torna o presidente do Brasil, é que os trabalhadores brasileiros começam a ter seus direitos trabalhistas. Getúlio Vargas cria em seu governo o Ministério do Trabalho e põe em prática as seguintes leis: férias; descanso remunerado; aposentadoria; licença-maternidade; décimo terceiro, entre outras leis trabalhistas. Essa atitude, entre muitas outras, deu a ele o título de “pai dos pobres”.

Hoje, porém, o nosso presidente da república, FHC, e o seu atual Ministério do Trabalho querem pôr fim nas leis trabalhistas criadas por Getúlio Vargas, o que nos dá a impressão que o presidente FHC quer trazer de volta o regime escravocrata, no qual o trabalhador não tem direito a nada, a não ser trabalhar sem reclamar, para não apanhar. Conclui-se com isto que o FHC é o “pai dos patrões”. (Marcelo Carneiro)