09 de julho de 2026
Polícia

Cresce apreensão de veículos clonados

(*) Rita de C. Cornélio
| Tempo de leitura: 4 min

A clonagem tem sido uma prática constante dos ladrões para colocar em circulação veículos furtados ou roubados sem que o comprador e a polícia descubram a verdadeira origem do carro. Em Bauru, estão sendo apreendidos, em média, dois ou três veículos clonados por semana, o que revela que há muitos carros rodando nessa situação na cidade.

Neste mês, a polícia apreendeu pelo menos cinco carros clonados em Bauru, com placas e chassi pertencentes a outros veículos. A clonagem nada mais é do que a troca das placas e chassi do veículo roubado ou furtado. O carro produto de furto, que poderia ser apreendido pela polícia numa blitz de rotina, recebe placas de outro que esteja com seu proprietário, sem restrição de furto ou roubo.

O autor da clonagem também muda o número do chassi, para coincidir com a placa do carro. O próximo passo é fazer um documento para o veículo usando as placas e número do chassi. Se conseguir a documentação, fica difícil até para a polícia descobrir que determinado carro é clonado porque o veículo furtado passa a ter as mesmas placas e chassi de outro legalizado. Porém, quem compra um automóvel nessas condições corre o risco de responder inquérito por receptação, uma vez que nos crimes de estelionato, furto e roubo não existe terceiro de boa-fé.

O alerta está sendo feito pelo titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Bauru, José Jorge Cardia. Segundo ele, ao comprar um veículo, toda pessoa deve tomar certos cuidados. “O primeiro deles é adquirir veículos de empresas estabelecidas na cidade. Se a compra for feita de pessoa física, os cuidados devem ser redobrados”, ressalta.

Comprar um veículo por preço abaixo do praticado no mercado, vendido em feiras por desconhecidos, é um risco, explica o delegado. “O carro barato, vendido por pessoas não estabelecidas é sinônimo de confusão. Muitos veículos clonados apreendidos foram adquiridos de pessoas estranhas, que não fornecem o endereço para o comprador, que responderá sozinho por receptação”, frisa.

Para evitar dor de cabeça posterior, Cardia orienta o comprador a consultar as placas e o chassi do carro. “O Estado disponibiliza consultas. Antes de efetuar a compra, o candidato deve consultar e guardar o documento”, frisa. Verificar que o chassi do veículo não foi adulterado é outra opção.

Segundo o delegado, o melhor, na hora da compra, é procurar empresas idôneas, que possam ser acionadas caso o carro seja clonado. “A vítima pode procurar a Justiça e pedir ressarcimento de danos em um caso como esse. Mas se o negócio foi feito com um desconhecido, a vítima não tem a quem reclamar”, lembra.

Cardia desaconselha a compra de veículos em feiras clandestinas. “Quem compra um carro em feira clandestina corre o risco de perder o bem e ainda responder por receptação. Nos crimes de furtos, roubos e estelionato não há terceiro de boa-fé. A receptação pode ser culposa quando a vítima não teve a intenção, mas deixou de usar os meios disponíveis para checar se aquele veículo era produto ilícito. Na forma dolosa, a pessoa sabe que o objeto é produto ilícito e mesmo assim faz a aquisição”, conta.

Policiais de trânsito e investigadores da DIG usam técnicas que não podem ser reveladas para provar que o veículo é clonado. “Por meio dos agregados descobrimos que o carro foi clonado. A técnica não pode ser revelada porque estaria instruindo os marginais”, explica o delegado titular da DIG, J.J. Cardia.

Ele frisa que durante as blitze é comum encontrar carros com chassi duvidoso. “Nesses casos, nós apreendemos o veículo para exame metalográfico”, afirma.

Como a polícia descobre

Uma operação conjunta entre o o Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic) e a Polícia Militar encontrou ontem à tarde em Taubaté o maior desmanche de carros roubados no Vale do Paraíba. Os veículos ganhavam placas, chassi e documentos de outros batidos.

A organização do esquema, que envolvia grupos de São Paulo e de Taubaté, surpreendeu os policiais do Deic, que descobriram a quadrilha após a prisão de um ladrão de carros em São Paulo.

Foram retirados 15 caminhões com peças de veículos na operação.

A polícia chegou ao desmanche após prender o vendedor Adeílson Gonçalves da Silva, 33, que roubava os carros em São Paulo e os revendia ao mecânico Alexandre Marques Fernandes, 30, o Batata.

Batata comprava veículos com perda total em leilões e encomendava modelos semelhantes aos assaltantes. O mecânico retirava o chassi e os documentos dos veículos dos leilões e os colocava nos carros roubados, dificultando a identificação dos produtos de roubo.

(*) Colaborou Agência Folha