09 de julho de 2026
Bairros

Lixo é jogado em erosão na Pousada da Esperança 2

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 3 min

Moradores da Pousada da Esperança 2 estão cobrando da Administração Municipal de Bauru providências quanto ao lixo que está sendo depositado na erosão do bairro que receberia apenas entulho (restos de demolição e construção). Hoje, eles discutirão o assunto com o titular da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), Luiz Pires.

De acordo com Natalino David da Silva, presidente da Associação de Moradores da Pousada da Esperança 1 e 2, junto com o entulho que é levado em caçambas por empresas particulares, há lixo orgânico e móveis velhos. “Queremos entulho de verdade para aterrar a erosão e não que isso se transforme em um depósito de lixo. Os moradores estão começando a reclamar”, destaca.

Silva conta que os catadores de lixo vão até o local para recolher materiais e fazem queimadas que prejudicam a vizinhança. “O funcionário da Semma não está dando conta. Tem uma vizinha que está grávida de seis meses e teve que mudar de casa porque não suportou o cheiro”, afirma.

A erosão do Pousada da Esperança 2 foi definida como destino de todo o entulho produzido na cidade em novembro do ano passado. A idéia inicial era eliminar os diversos pontos espalhados pela cidade de depósitos de entulho, que acabam tornando-se verdadeiros lixões a céu aberto. Por outro lado, a medida possibilitaria o aterramento de uma grande erosão existente na cidade.

A alternativa ideal não deve causar danos ao meio ambiente nem representar desconforto à população vizinha. Por isso, ficou estabelecido que não seria permitido depositar galhos, madeira, materiais orgânicos, móveis velhos e latas de tinta, entre outros materiais.

Inicialmente, a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) gerenciaria esse primeiro ponto de deposição de entulho, fiscalizando todo o material que chega em caçambas. Para agilizar o início das atividades do depósito, foi destinado um funcionário da própria Semma, que fica no local das 7h30 às 16h45. “Para colocar pessoal da Emdurb dependeríamos de uma legislação própria”, explica o secretário de Meio Ambiente.

A erosão também seria cercada, já que seria cobrada uma taxa das empresas que depositam entulho no local. Segundo Pires, a idéia da cerca foi abandonada porque eliminou-se a possibilidade de cobrança.

Reciclagem de entulho

Para Luiz Pires, são os próprios moradores do bairro que aproveitam-se dos horários em que não há funcionário vigiando o local para jogar lixo. “Infelizmente, a própria população está indo jogar coisas lá quando o funcionário sai”, observa.

Na reunião de hoje, Pires deverá propor aos moradores a construção de uma usina de reciclagem de entulho, idéia antiga da Prefeitura de Bauru que nunca foi viabilizada. O secretário acredita que com a ajuda da comunidade o projeto pode tornar-se viável.

“Ou o poder público poderá explorar ou podemos fazer uma concessão para um particular. Estamos fazendo estudos para isso. Só a instalação da usina demandaria de R$ 300 mil a R$ 400 mil”, enfatiza Pires. “O nosso entulho é muito rico. Muito do material que vai para a construção é perdido e vira entulho”, acrescenta.

Por enquanto, está sendo estudada a possibilidade de instalar uma cerca no local para impedir o acesso fora do horário de funcionamento do depósito.

A comunidade do Pousada da Esperança aproveitará a oportunidade da conversa com Pires para propor um projeto de arborização do bairro. De acordo com o presidente da associação de moradores, a intenção é incentivar todas as pessoas a adotar uma árvore.