11 de julho de 2026
Política

Bauru vai ter primeiro candidato a vice-governador de SP

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 4 min

O bauruense Cláudio Turtelli já faz parte da história política da cidade. Pela primeira vez, o município - em seus 105 anos de emancipação - vai ter um candidato a vice-governador de Estado. Turtelli vai disputar o cargo pelo Partido Verde, o PV. Ele compõe a chapa com o advogado paulista Antonio Fernando Pinheiro Pedro, que disputará o cargo majoritário e tem visita agendada amanhã a Bauru. Mix de músico, advogado, ambientalista e administrador de empresas, o verde bauruense falou ao Jornal da Cidade sobre suas convicções políticas e expectativas. Leia a entrevista:

JC - O senhor vai entrar para a história política de Bauru como o primeiro candidato da cidade a disputar a vaga de vice-governador de Estado. Essa responsabilidade pesa? Cláudio Turtelli - Fiquei feliz por ter sido escolhido pelo partido. Sobre o aspecto regional, acho que é bom para a cidade e bom para os nossos candidatos, o Renato e o Roberto Purini. Isso favorecerá a campanha, que vai vir mais para o Interior. Já fui candidato a vereador, a deputado estadual e a suplente a senador na última eleição. Ser candidato a vice-governador é mais um projeto que vou prestar ao PV. Eu nasci e cresci em Bauru, fiz todos os meus estudos em Bauru e meu trabalho é em Bauru. A cidade é muito importante para mim.

JC - O cargo de vice foi sempre qualificado como de expectativa. Se eleito, o senhor pretende mudar esse conceito? Turtelli - Para nós do PV, o cargo de vice representa mais, no âmbito da campanha, um auxílio considerável ao candidato majoritário. Em termos práticos, o vice será aquela pessoa que vai correr com a campanha, observando os erros e os acertos. A expectativa de vitória não dá para mensurar porque a campanha nem começou. A avaliação numérica, o percentual de votos não nos dá muita dimensão para trabalhar nesse aspecto, mas influi excessivamente no trabalho que a chapa majoritária vai fazer.

JC - O PV é considerado um partido pequeno. Qual a estratégia para enfrentar os partidos ‘raposas’, como PSDB, PFL, PMDB, entre outros? Turtelli - Nós temos um projeto político de poder. Traçamos esse projeto político numa variável de 20 anos, a partir de 1986. Quando se tem um projeto e se tem os degraus para suprir, pratica-se aquilo que está na sua condição naquele determinado momento. O PV saiu das eleições de 1996 com menos de 1% dos votos. Nas eleições de 2000, atingiu 2,9% dos votos válidos em São Paulo para vereador. Nossa meta, agora, é atingir 5% dos votos legislativos. Nunca tivemos uma candidatura majoritária em São Paulo. O nosso discurso serviu de base para todos os partidos na área ambiental. Agora, vamos à sociedade pedir um espaço e medir capacidade para disputar o Governo do Estado. Acho que vamos ter um pouco mais de credibilidade.

JC - Se a verticalização das coligações se mantiver, o PV terá pouco mais de um minuto na TV. Não é pouco tempo para dar a mensagem verde? Turtelli - Não acho que nem com cinco e nem com dez minutos de televisão você consegue passar uma proposta de governo. Hoje, nós temos mecanismos dentro da sociedade que permite fazer chegar a um grande número de pessoas, principalmente às formadoras de opinião, uma proposta de governo. Temos as redes de Internet, Intranet, etc.

JC - O PV sempre foi anti-nuclear. O País já construiu Angra I e II e prepara-se para lançar Angra III. Insistir nessa posição não significa retrocesso? Turtelli - A matriz do partido pensa que as questões de energia devem ser moldadas fora de perigo para a civilização. Quando se trabalha com uma tecnologia que apresenta perigo, que traz equações não visíveis e experimentáveis, inclusive, como demonstrou o caso de Chernobil, é preferível procurar alternativas para a geração de energia. Sei que é difícil, mas hoje já se trabalha a energia eólica com potencial enorme no Brasil e no resto do mundo. Não somos contra, por exemplo, a construção de pequenas termoelétricas, que são viáveis. Dentro do partido, nós temos discussões. Existe o campo técnico, teórico, que defende que aquilo que faz mal não serve, e o campo que defende a Ciência, que não pode ser abandonada.

JC - Na década de 80, o senhor era integrante de um conjunto de rythm and blues, o Superliga Katólica, que marcou época em Bauru. Corremos o risco de termos um vice-governador tocando baixo no Palácio dos Bandeirantes? Turtelli - Eu nasci com a música. Nas minha casa, a música nasceu na sala. Temos um piano. A música sempre fez parte da minha vida, da infância, da juventude. Fico feliz em ter participado desse processo cultural de Bauru. O Superliga, que é uma lenda da cidade, foi marcante não só para a gente que participou na ação direta, como para toda aquela sociedade que viveu aquele momento. Naquela época, tínhamos pouca atividade cultural na cidade e a música era uma coisa que fazia movimentar a juventude. Mas a minha alegria nesse processo todo é que deixei todos os meus equipamentos de herança para meu filho, que decidiu adotá-los. Ele também tem uma banda de rythm and blues.