11 de julho de 2026
Política

Crise faz prefeito substituir secretário

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 4 min

Depois de se reunir por uma hora com o prefeito Nilson Costa (PPS) na tarde de ontem, o advogado Arlindo Figueiredo aceitou o convite para assumir a Secretaria Municipal das Administrações Regionais (Sear) em substituição ao engenheiro Celso Donizeti. A nomeação do advogado será anunciada hoje à tarde por Nilson no pacote de mudanças de seu secretariado. Ele assumirá o comando da pasta a partir de segunda-feira.

Aos 71 anos de idade, o novo comandante da Sear se mostra disposto a imprimir seu ritmo de trabalho na função que lhe foi confiada por Nilson. Ex-presidente do Departamento de Água e Esgoto (DAE) nas gestões dos prefeitos Edison Bastos Gasparini (PMDB) e Tuga Angerami (PSB), Figueiredo tem consciência de que assumirá a pasta num momento crítico e de muita cobrança da população.

Uma das tarefas da secretaria é a operação tapa-buracos, o serviço mais solicitado pela população no último ano, devido ao péssimo estado de conservação da capa asfáltica de ruas e avenidas da cidade.

“Seria incoerente se eu quisesse dar uma solução imediata para o problema”, avalia. Ele diz que, primeiro, vai fazer um diagnóstico da situação e conhecer melhor a estrutura da Sear. “A situação é crítica, mas há limitações. O serviço de tapa-buracos prestado pela Sear tem limites porque a Secretaria de Obras também trabalha em conjunto.”

O advogado defende a necessidade de se ter o controle absoluto do comando da secretaria para que haja cobrança junto às chefias e demais servidores. “Cada um tem o seu ritmo de trabalho. Vou andar muito pelas ruas. Vou fiscalizar e cobrar. Os regionais devem abrir os olhos”, avisa.

Figueiredo afirma que não se pode admitir praças e outros espaços e áreas de lazer, de responsabilidade do Poder Público, dominados pelo mato. “Há poucos dias passei por uma praça com um mato de dois metros de altura. É inadmissível. Ninguém pode receber de graça. Tem que se prestar o serviço e ter responsabilidades.”

O novo titular da Sear deixa claro que vai dar liberdade de trabalho às chefias e tentar suprir suas necessidades. â€œÉ preciso fazer. Só não quero ser marido traído. Quero saber aquilo que eles vão fazer, certo ou errado. Vou exigir.”

Figueiredo fez comentários discretos sobre possíveis mudanças nas chefias das sete Regionais esparramadas pela cidade, cargos que, a partir de segunda-feira, são de sua confiança. “Vai depender do regional a sua atuação, o seu trabalho, o seu serviço. Eu preciso de pessoas em que posso confiar, de que não dependa de que eu esteja no local e que me apresente serviços e resultados.”

“Estou perplexo!”

O engenheiro Celso Donizeti, que na tarde de hoje entrega o comando da Secretaria Municipal das Administrações Regionais (Sear) ao advogado Arlindo Figueiredo, informou, ontem, que foi avisado da substituição há dois dias.

Ele diz que recebeu a notícia com surpresa. “Estou perplexo. Há cerca de dez dias estive com o prefeito Nilson Costa e ele garantiu que eu e o Edmilson (secretário de Obras que assumirá a Emdurb) roemos o osso e comemos o pão que o diabo amassou e que não deixaria de nos prestigiar agora que as coisas vão melhorar”, relata.

Chateado com a decisão, Donizeti afirma que vai sair pela mesma porta que entrou. “Não vou discutir. Agradeço ao prefeito pela oportunidade que me deu para que a comunidade conhecesse meu trabalho.”

Ele destaca que a Sear nunca foi motivo de “desgosto” para Nilson. “A Sear nunca motivou a instalação de uma CEI que provocasse a humilhação do prefeito. A secretaria não sofreu distorções em sua missão.”

Nos três anos e quatro meses que ficou como titular da pasta, o engenheiro conta que houve avanços. Donizeti afirma que o orçamento da secretaria saltou de R$ 1 milhão em 1999 para R$ 10 milhões neste ano.

“Vão ser investidos cerca de R$ 2,7 milhões na aquisição de novos veículos e equipamentos. A equipe de trabalho está motivada. Quando assumimos, tivemos que reestruturar o quadro da secretaria. Tínhamos 30 assessores que não trabalhavam.”

A destituição do engenheiro, no entanto, parece que não será muito pacífica. Ele acusa o ex-secretário municipal de Administração, Flávio Uchoa, de ser o responsável pela crise de governabilidade na gestão de Nilson Costa.

“Houve falta de coerência, de competência e de capacidade política do senhor Flávio Uchoa.” Donizeti acredita que a administração acumulou negativamente as denúncias do uso irregular de telefones celulares do Departamento de Água e Esgoto (DAE), da renúncia de receitas e do caso marmitex.

“Havia uma preocupação de corrigir. Alguns trabalhavam de forma adequada e outros trabalhavam de uma forma não muito convencional. Esse é o preço que pagamos hoje.” O ex-secretário de Administração não foi localizado pela reportagem do Jornal da Cidade para comentar as declarações do engenheiro.