Depois de se reunir por uma hora com o prefeito Nilson Costa (PPS) na tarde de ontem, o advogado Arlindo Figueiredo aceitou o convite para assumir a Secretaria Municipal das Administrações Regionais (Sear) em substituição ao engenheiro Celso Donizeti. A nomeação do advogado será anunciada hoje à tarde por Nilson no pacote de mudanças de seu secretariado. Ele assumirá o comando da pasta a partir de segunda-feira.
Aos 71 anos de idade, o novo comandante da Sear se mostra disposto a imprimir seu ritmo de trabalho na função que lhe foi confiada por Nilson. Ex-presidente do Departamento de Água e Esgoto (DAE) nas gestões dos prefeitos Edison Bastos Gasparini (PMDB) e Tuga Angerami (PSB), Figueiredo tem consciência de que assumirá a pasta num momento crítico e de muita cobrança da população.
Uma das tarefas da secretaria é a operação tapa-buracos, o serviço mais solicitado pela população no último ano, devido ao péssimo estado de conservação da capa asfáltica de ruas e avenidas da cidade.
“Seria incoerente se eu quisesse dar uma solução imediata para o problemaâ€, avalia. Ele diz que, primeiro, vai fazer um diagnóstico da situação e conhecer melhor a estrutura da Sear. “A situação é crítica, mas há limitações. O serviço de tapa-buracos prestado pela Sear tem limites porque a Secretaria de Obras também trabalha em conjunto.â€
O advogado defende a necessidade de se ter o controle absoluto do comando da secretaria para que haja cobrança junto às chefias e demais servidores. “Cada um tem o seu ritmo de trabalho. Vou andar muito pelas ruas. Vou fiscalizar e cobrar. Os regionais devem abrir os olhosâ€, avisa.
Figueiredo afirma que não se pode admitir praças e outros espaços e áreas de lazer, de responsabilidade do Poder Público, dominados pelo mato. “Há poucos dias passei por uma praça com um mato de dois metros de altura. É inadmissível. Ninguém pode receber de graça. Tem que se prestar o serviço e ter responsabilidades.â€
O novo titular da Sear deixa claro que vai dar liberdade de trabalho às chefias e tentar suprir suas necessidades. â€œÉ preciso fazer. Só não quero ser marido traído. Quero saber aquilo que eles vão fazer, certo ou errado. Vou exigir.â€
Figueiredo fez comentários discretos sobre possíveis mudanças nas chefias das sete Regionais esparramadas pela cidade, cargos que, a partir de segunda-feira, são de sua confiança. “Vai depender do regional a sua atuação, o seu trabalho, o seu serviço. Eu preciso de pessoas em que posso confiar, de que não dependa de que eu esteja no local e que me apresente serviços e resultados.â€
“Estou perplexo!â€
O engenheiro Celso Donizeti, que na tarde de hoje entrega o comando da Secretaria Municipal das Administrações Regionais (Sear) ao advogado Arlindo Figueiredo, informou, ontem, que foi avisado da substituição há dois dias.
Ele diz que recebeu a notícia com surpresa. “Estou perplexo. Há cerca de dez dias estive com o prefeito Nilson Costa e ele garantiu que eu e o Edmilson (secretário de Obras que assumirá a Emdurb) roemos o osso e comemos o pão que o diabo amassou e que não deixaria de nos prestigiar agora que as coisas vão melhorarâ€, relata.
Chateado com a decisão, Donizeti afirma que vai sair pela mesma porta que entrou. “Não vou discutir. Agradeço ao prefeito pela oportunidade que me deu para que a comunidade conhecesse meu trabalho.â€
Ele destaca que a Sear nunca foi motivo de “desgosto†para Nilson. “A Sear nunca motivou a instalação de uma CEI que provocasse a humilhação do prefeito. A secretaria não sofreu distorções em sua missão.â€
Nos três anos e quatro meses que ficou como titular da pasta, o engenheiro conta que houve avanços. Donizeti afirma que o orçamento da secretaria saltou de R$ 1 milhão em 1999 para R$ 10 milhões neste ano.
“Vão ser investidos cerca de R$ 2,7 milhões na aquisição de novos veículos e equipamentos. A equipe de trabalho está motivada. Quando assumimos, tivemos que reestruturar o quadro da secretaria. Tínhamos 30 assessores que não trabalhavam.â€
A destituição do engenheiro, no entanto, parece que não será muito pacífica. Ele acusa o ex-secretário municipal de Administração, Flávio Uchoa, de ser o responsável pela crise de governabilidade na gestão de Nilson Costa.
“Houve falta de coerência, de competência e de capacidade política do senhor Flávio Uchoa.†Donizeti acredita que a administração acumulou negativamente as denúncias do uso irregular de telefones celulares do Departamento de Água e Esgoto (DAE), da renúncia de receitas e do caso marmitex.
“Havia uma preocupação de corrigir. Alguns trabalhavam de forma adequada e outros trabalhavam de uma forma não muito convencional. Esse é o preço que pagamos hoje.†O ex-secretário de Administração não foi localizado pela reportagem do Jornal da Cidade para comentar as declarações do engenheiro.