08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

VELHOS COMUNISTAS

Arthur Monteiro Junior
| Tempo de leitura: 2 min

“Eu gostaria de acreditar que essa inexplicável beleza dos velhos talvez fosse uma prova da existência da alma” (Mário Quintana)

Ah! Estes velhos comunistas, incorrigíveis ... Insistem em sonhar e lutam por um mundo melhor, enquanto a barbárie, aparentemente vitoriosa, avança e já toma conta das ruas. De onde vem tanta teimosia? De onde extraem força para manter a dignidade dos revolucionários e a vitalidade da juventude ? Como resistem numa sociedade marcada pela apatia, onde o individualismo se estampa em cada rosto, cada gesto ?

É difícil imaginar a energia que nutre esta gente, especial, que resiste ao tempo, as vicissitudes da vida, deixando o seu rastro de coragem e sabedoria. Afinal, quantos desistiram pelo caminho ? Alguns, ainda jovens, muitos na primeira porrada da vida ou da reação e outros, os piores, sucumbiram ao caminho fácil das benesses do poder e, hipócritas, justificam suas mazelas em belos e vazios discursos. Sob a falsa aparência de modernos, apenas se preocupam em garantir a sua presença no banquete da burguesia.

Mas os velhos comunistas, com a paixão à flor da pele, sempre com um brilho no olhar, estranho e cativante, seguem pela vida, demonstrando que o socialismo somente acabou para aqueles cujas cabeças foram afetadas pelas pedras que caíram na derrubada do Muro de Berlim, mas não para os verdadeiros socialistas, que sabem que o caminho ainda está sendo construído, com a solidariedade de classe e a intransigência de princípios.

Assim, os velhos comunistas estão por aí, anônimos, com suas lições de vida, pelos quatro cantos do país. São Albertos, Gregórios, Calixtos, Arcôncios, Apolônios; alguns, a morte já levou e partiram com a profunda e inalterada convicção no marxismo; outros permanecem, resistem, nos ensinam. E como é doce ouvir suas histórias, conquistas e desventuras, idéias e sonhos. Tão doce como os acordes de Piazzolla, da vitória em Sierra Maestra ou os versos de Taiguara.

Estes velhos comunistas certamente compartilham das palavras do poeta uruguaio Mario Benedetti: “Só quando transgrido alguma ordem o futuro se torna respirável”. (Arthur Monteiro Junior – advogado e membro do diretório municipal do PT/Bauru)