08 de julho de 2026
Geral

Páscoa judaica pede libertação e paz

Luly Zonta
| Tempo de leitura: 3 min

Ontem os judeus comemorarem a sua Páscoa, o Pessach, um rito de passagem para a libertação não só do seu povo. Uma ceia, o seder, que dura horas e mescla comida e oração foi feita à noite, mas já começou a ser preparada anteontem, dia que marcou a véspera do Pessach na casa da família de Paulo Rosica e Lina Bichusky, que mantém viva a tradição das festas judaicas em Bauru.

Uma bela e farta mesa é iluminada com velas e um cálice de vinho tinto permance ali durante os oito dias de festa à espera do profeta Elias. Rosica explica que este ritual representa a Santa Ceia cristã.

Aliás, o ritual se inicia com uma oração para este cálice: “Bendito sejas tu o eterno que nos santifica o fruto da videira”.

A matriarca Julieta Bichusky conta que nas famílias maiores e de hábitos mais conservadores as mesas reúnem dezenas de pessoas e lamenta que a tradição tenha se perdido.

No seder, a ceia pascal judaica, é obrigação da mulher acender as velas, mas é o homem quem faz as orações em hebraico. Por isso, os filhos de Lina e Paulo, Jayme, Natan e Giulia, já começam a ter aulas do idioma. Jayme, o mais velho, já tem a missão de zelar pela religiosidade da casa.

Os garotos desde pequenos aprenderam o significado dos rituais e festas religiosas de seu povo, que não são poucas, e comemoram cada momento. No Pessach o que mais gostam é do gefilte, um bolinho de peixe que também é obrigatório na mesa de um seder.

Simbolismo

As iguarias sem fermento e todas as outras comidas servidas no ritual são saborosas mas trazer no paladar uma simbologia toda própria.

O matzá, pão sem fermento feito com farinha e processos especiais seguidos pelos judeus ortodoxos ou importados de Israel, é o prato principal e que carrega todo o sofrimento da tribo judaica escravizada no Egito. Na verdade, o matzá é o pão feito às pressas que os judeus conseguiram preparar para não partir sem alimento. Apesar de saboroso, o pão que se assemelha a um biscoito de água e sal gigante, é seco e árido como o deserto. Além disso é servido com uma mistura agridoce e forte preparada com beterraba, vinagre e raiz forte, que remete à amargura do povo judeu antes do êxodo e da libertação.

Entre outros alimentos servidos durante o seder, Lina revela que a batata remete à comida pobre que seu povo teve no cativeiro. O osso de cordeiro lembra o último banquete na terra natal. A raiz forte e as verduras que são molhadas em água salgada representam a amargura do povo e as lágrimas por ele derramada. Já uma pasta feita com nozes e maçã simboliza a massa que fizeram tijolos e construíram as pirâmides. “E finalmente, os ovos cortados de forma arredondada são a vida da gente que sempre pode mudar.”

Liberdade e paz

À mesa também são colocados três matzá que representam as três tribos de Judá: Levi, Coin e Israel. Um pedaço deste pão ao final do jantar é partido e dado a um dos filhos, que o esconde para que o pai o encontre. O encontro do pedaço de pão é a promessa de que até o próximo Pessach um desejo feito pelo garoto ao escondê-lo possa ser realizado.

â€œÉ uma brincadeira para fazer com que eles fiquem acordados,” diz Lina. “Mas também é um sinal de esperança.”

Paulo Rosica aponta que o Pessach é um rito de libertação, a tragetória do êxodo, ou a nossa via crucis. “Mas hoje o nosso maior desejo de Páscoa é ver a paz numa terra de guerra.”