O achatamento salarial é uma realidade no País. Em 2001, o rendimento médio do brasileiro caiu durante o ano todo e fechou com baixa de 3,9% se comparado ao ano anterior.
Além dessa queda, chama a atenção à queda 7,5% no rendimento médio do trabalhador com carteira assinada. O mercado formal tem maiores dificuldades em repor perdas.
São três anos consecutivos com perda de poder de compra.
O ganho real do governo FHC caiu de 40% (pico de 1997) para 18% aproximadamente (dezembro de 2001).
Temos problemas da falta de reposição salarial no setor público, o que provoca quedas reais no poder de compra do salário.
O setor privado vem mudando sua estrutura, portanto, substitui parte da mão-de-obra por tecnologia, aumentando a fila dos desempregados. Além deste aspecto muitas pessoas com maior tempo de casa, portanto, com salários maiores, foram dispensadas sendo substituídas por outras com salários menores.
Devemos considerar que 2001 foi atípico dada à crise energética, mas é certo que os postos de trabalho perdidos não serem recuperados na mesma proporção, portanto, é um emprego sem volta.
Este ano ainda será de desafios e como o crescimento projetado da economia é de 2% podemos concluir que o mapa da renda ainda será sofrível.
A análise retrospectiva é importante, mas fundamentalmente as projeções para mudança desse quadro são mais importantes, e infelizmente não vemos nada sendo feito para reverter o quadro.
Conclusão: na média, estamos ficando cada vez mais pobres. (O autor, Reinaldo Cafeo, é economista, delegado do Corecon e professor na ITE)