08 de julho de 2026
Saúde

Cordão umbilical pode salvar vidas

Fabiana Teófilo
| Tempo de leitura: 5 min

A única possibilidade de cura para pacientes com leucemia e outras enfermidades mortais é um transplante de medula óssea. O sangue do cordão umbilical e placenta que se extrai no momento do nascimento, pode ser utilizado em transplantes para pacientes com leucemia.

Durante a gravidez, o oxigênio e nutrientes essenciais passam do sangue materno para o bebê através da placenta e do cordão umbilical. O sangue que circula no cordão umbilical é o mesmo do recém-nascido. Quando pesquisadores identificaram no cordão umbilical um grande número de células “tronco” hematopoiéticas, que são células fundamentais no transplante de medula óssea, este sangue adquiriu importância, pela doação voluntária, para pessoas que precisam do transplante.

Essa explicação é da médica e pesquisadora do Rio de Janeiro Maria Rita Corvares Domingues. Ela afirmou que após o nascimento, o cordão umbilical é clampeado (para impedir que o sangue contido no cordão vaze), cortando-se a ligação entre o bebê e a placenta.

A quantidade de sangue (cerca de 70 a 100 ml) que permanece no cordão e na placenta, de acordo com a médica, é drenada e armazenada em bolsas semelhantes às utilizadas para transfusão de sangue. “As bolsas são levadas ao banco de sangue de cordão umbilical, onde serão congeladas e poderão ficar por vários anos à espera de um receptor compatível”, explica Maria Rita.

Ela lembrou que a coleta do sangue do cordão umbilical e da placenta é realizada somente com o consentimento materno. “Este processo não causa nenhum dano para a mãe e para o bebê já que utiliza somente o sangue do cordão que seria descartado após o parto”, diz.

Cabe ressaltar que a doação é voluntária, confidencial. “Nenhuma informação é cedida tanto ao doador quanto ao receptor da unidade de sangue de cordão umbilical e placentário”, explica.

Vantagens

Maria Rita disse que a criação de diversos bancos de sangue de cordão umbilical e placenta vai aumentar o número de doadores cadastrados e, conseqüentemente, as chances de compatibilidade sangüínea entre as pessoas. “Embora as células placentárias sejam recomendadas para transplantes em indivíduos que pesem até 50 quilos, o material coletado é vantajoso, principalmente pela imaturidade das células, o que reduz consideravelmente a possibilidade de rejeição das células sangüíneas recebidas no transplante pelo organismo do receptor”, afirma.

Ela lembra que a maior vantagem do sangue do cordão umbilical é a disponibilidade imediata das células e a possibilidade da realização do transplante sem que o doador seja submetido a qualquer tipo de procedimento cirúrgico.

As mães que permitirem a doação são obrigadas a realizar consultas no período pré-natal e a responder questionário com informações sobre sua história e de sua família.

Além disso, a médica diz que são realizados exames complementares no sangue materno e na unidade de sangue de cordão coletada que garantam a qualidade deste produto. Em caso de anormalidade, a amostra de sangue é descartada.

Os pacientes com indicações para transplante deverão ser cadastrados pelo Registro de Doadores de Medula Óssea (Redome), no Rio de Janeiro, de acordo com suas características. Será então feito um cruzamento de informações entre o Redome e o Banco de Sangue de Cordão Umbilical, para identificar entre as unidades de sangue armazenadas um doador compatível.

O processo de transplante, segundo Maria Rita, é semelhante ao utilizado para medula óssea. Após um regime de preparação com quimioterapia e/ou radioterapia o paciente recebe as células “tronco” através de uma transfusão.

A médica diz que, embora estejam em desenvolvimento vários programas semelhantes em todo Brasil, o número anual de nascimentos excede às necessidades esperadas para o armazenamento de sangue de cordão umbilical.

Doações

A doação pode ser realizada de três formas diferentes

1 - Doação voluntária para o Banco, sem custo para a família, sendo que as células ficarão disponíveis para qualquer pessoa que necessite.

2 - Doação quando há, comprovadamente, um parente compatível e que possa ser doador para transplante de medula óssea. Neste caso, também não há custo para a família.

3 - Coleta e armazenamento com o objetivo de atender, exclusivamente, à própria família. Existem centros que executam a coleta privada, e os custos são cobertos pela família.

Serviço

A doação para um parente compatível que necessita de transplante deve ser realizada através de consulta/agendamento diretamente com o Banco de Sangue de Cordão Umbilical e Placentário pelos telefones: (21) 2506-6390 ou 2506-6391. Também realizam esse serviço o Inca - Cemo, Hemocentro de Ribeirão Preto; Unicamp/Campinas; UFPR/Curitiba; Hospital Albert Einstein/São Paulo; e o Hospital das Clínicas/Hemocentro/São Paulo.

Mapa do transplante

* 70% dos pacientes que precisam de transplante de medula óssea no Brasil não têm doadores compatíveis.

* A leucemia é a doença que mais mata crianças com idades abaixo de 14 anos, assim como mulheres e homens com menos de 35 anos nos Estados Unidos.

* O primeiro Transplante de Medula Óssea (TMO) feito com sucesso ocorreu em 1968 e 11 anos mais tarde, em 1979, realizou-se com êxito o primeiro transplante com doador sem parentesco com o paciente.

* A maior probabilidade é encontrar um doador entre os irmãos e irmãs. Entretanto, somente de 25% a 30% dos pacientes conseguem um doador compatível entre membros da família.

* A probabilidade de encontrar um doador compatível fora do núcleo familiar é de um em cem mil ou uma em um milhão.

* O Registro de Medula Óssea dos Estados Unidos (NMDP) é o maior do mundo com aproximadamente 2,8 milhões de doadores cadastrados, isso é menos de 1% da população americana.

* Menos de 8% dos doadores cadastrados são latino-americanos, apesar deles representarem 14% do total da populacão nos Estados Unidos. Isso quer dizer que somente 0,5% da população latino-americana está cadastrada como doadores no NMDP.

* Não existem registros de doadores de medula óssea em países latino-americanos, exceto no México (Donormo) e no Brasil (Redome) com pouco mais de 9 mil doadores inscritos.

Fonte: Fundação Max