08 de julho de 2026
Saúde

Doenças mudam composição sangüínea

Fabiana Teófilo
| Tempo de leitura: 7 min

As doenças do sangue resultam de mudanças anormais em sua composição. O sangue é formado de glóbulos vermelhos, que são os heritrócitos; glóbulos brancos; que são os leucócitos; e as plaquetas ou trombócitos. Quando um desses elementos perde a concentração, é sinal que existe alguma patologia.

De acordo com o hematologista e oncologista pediátrico, Marcos Augusto Mauad, os heritrócitos ou glóbulos vermelhos são as células do sangue que têm como função carregar o oxigênio do pulmão para o corpo. Os leucócitos ou glóbulos brancos, segundo ele, têm a obrigação de promover a defesa do organismo contra agentes infecciosos, que são as bactérias ou os vírus.

As plaquetas ou trombócitos são fragmentos de células que têm a função de conter as hemorragias. Quando ocorre uma baixa de glóbulo vermelho, de acordo com Mauad, tem-se uma baixa oxigenação tecidual, então surge a anemia que pode ocorrer por perda de sangue aguda, causadas por acidentes ou cirurgias ;ou crônica, em casos de menstruação, sangramento e verminoses.

A alteração nos glóbulos brancos, explica o médico, faz com que ocorra a queda da imunidade do indivíduo. Uma doença que ocorre dessa maneira é a leucemia. Ela tem como característica a baixa dos glóbulos brancos conhecidos como neutrófilos. Com a queda, ocorrem as infecções.

A púrpura, ainda de acordo com Mauad, é uma doença muito comum em crianças. Ela é causada pela queda do número de plaquetas e com isso podem ocorrer os sangramentos e as hemorragias.

Hemofilia

A hemofilia é uma desordem no mecanismo de coagulação do sangue, que pode resultar em incontroláveis hemorragias. Trata-se de uma deficiência genético-hereditária, quase exclusiva do sexo masculino. Ocorre um caso em cada dez mil habitantes.

Das desordens genéticas, de acordo com Mauad, a hemofilia tem a maior taxa de mutações com aproximadamente um terço de novos casos em famílias sem registro anterior.

O médico explicou que desde os primeiros meses de vida, o hemofílico é identificado pelos sintomas hemorrágicos que apresenta. Um pequeno traumatismo pode desencadear: dor intensa, hematomas, episódios hemorrágicos importantes em órgãos vitais, músculos e articulações.

A repetição das hemorragias nas articulações pode gerar seqüelas importantes que afetam a mobilidade dos membros atingidos.

Tratamento

A base do tratamento dos episódios hemorrágicos dos hemofílicos é a introdução, no sangue dos pacientes, da substância que falta, o fator de coagulação.

Embora incurável, a hemofilia é controlável desde que se administre a transfusão do fator de coagulação do sangue e seja acompanhada por equipe multidisciplinar especificamente treinada.

Mauad diz que o hemofílico bem atendido pode e deve ter uma vida normal, passando automaticamente da condição de “eterno paciente” para a condição de “cidadão” ativo e produtivo para o País.

Pela especificidade das características da hemofilia como doença e com o firme propósito de buscar melhores condições de tratamento aos hemofílicos, eles se organizaram no mundo fundando a Federação Mundial de Hemofilia, onde os hemofílicos brasileiros são representados pela Federação Brasileira de Hemofilia.

Tipos

Hemofilia A: conhecida como clássica, atinge cerca de 85% dos pacientes e caracteriza-se pela deficiência de Fator VIII de coagulação.

Hemofilia B: também conhecida como fator Christmas, atinge 15% dos pacientes e caracteriza-se pela deficiência de Fator IX de coagulação.

Leucemia

Milhares de pessoas no mundo morrem a cada ano de leucemia e outras doenças do sangue. A leucemia causa mais mortes entre crianças abaixo de 14 anos e entre mulheres e homens abaixo de 35 anos do que qualquer outra doença nos Estados Unidos.

Embora existam alguns tratamentos promissores para esta doença, a única possibilidade de cura, de acordo com Mauad, para muitos pacientes com leucemia e outras doenças mortais é um transplante de medula óssea.

O transplante consiste em eliminar a medula óssea do paciente e substituí-la pela medula sã de um doador compatível. Somente uma pequena quantidade de medula, que é um líquido que regenera-se em duas ou três semanas, é retirada do doador (a quantidade é aproximadamente 3% a 5% do total de medula da pessoa). O doador retoma suas atividades normais quase que imediatamente. Entretanto, muitos pacientes morrem antes de encontrar um doador compatível.

Compatibilidade

Muitos pacientes nunca encontram um doador não-aparentado compatível.

A medida que o número de pessoas inscritas nos registros de bancos de medula aumentam, de acordo com o médico, também crescem as chances de encontrar um doador compatível para milhares de pacientes. As probabilidades de que um paciente encontre um doador não-aparentado compatível, depende de características do sangue que são hereditárias e únicas de certos grupos étnicos. Conseqüentemente, os pacientes têm maiores probabilidades de achar um doador compatível entre os membros da sua mesma raça.

O Registro Mundial de Medula Óssea (BMDW) agrupa registros de medula óssea e cordão umbilical de diversos países de todo mundo.

Atualmente existem 42 países participantes, porém, nenhum registro em países latino-americanos, exceto no Brasil e México. O Registro de Medula Óssea dos Estados Unidos (NMDP) é o maior com mais de 2,8 milhões de doadores cadastrados.

Púrpura

A Púrpura Trombocitopênica Idiopática (PTI) é uma doença caracterizada por freqüentes sangramentos das mucosas (nariz e gengiva) e pela presença de sangue na urina. Aparentemente, acontece uma reação imunológica do organismo contra as linhagens de plaquetas (estruturas do sangue responsáveis pela coagulação).

A reação imunológica pode ser desencadeada por uma infecção viral (uma ou duas semanas antes da PTI). Há uma diminuição de plaquetas na circulação. A doença é tratada com transfusões de sangue e plaquetas, corticóides e até com cirurgia para a retirada do baço (que funciona como uma espécie de filtro do sangue do organismo).

Tratamento

O tratamento inicial geralmente é feito com corticosteróides ou imunoglobulina endovenosa (IgG EV). Apesar dessas drogas não terem efeito sobre o curso da doença, que na maioria dos pacientes haverá um aumento da contagem de plaquetas e, portanto, a diminuição do risco de hemorragias graves. Não se sabe ao certo os mecanismos de ação de ambas as drogas, nem se há vantagem de uma sobre a outra no tratamento que pacientes que necessitam de terapia.

Anemia

A anemia é uma doença do sangue caracterizada pela diminuição dos glóbulos vermelhos ou mais precisamente da quantidade de hemoglobina presente nesses glóbulos. A hemoglobina é uma proteína muito importante do sangue, pois é ela que contém o ferro e o oxigênio necessários para alimentar os tecidos do corpo. Portanto, quando há diminuição dos glóbulos vermelhos ou da hemoglobina, os tecidos começam a receber uma quantidade inadequada de oxigênio e não conseguem trabalhar normalmente.

Causas

De acordo com Mauad, existem várias causas de anemia, cada uma levando a diferentes alterações nas células do sangue, mas no final os sintomas são sempre os mesmos.

Ele ressalta que a causa mais comum é a falta de ferro, tanto devido a uma dieta pobre deste metal quanto a uma perda intensa de sangue, como ocorre nos traumas ou nas menstruações abundantes.

Também pode ocorrer em pessoas com úlcera ou problemas intestinais, que levam à perda de sangue pelo vômito ou pelas fezes.

Alguns pacientes apresentam perdas constantes de sangue, muitas vezes, não detectadas, como é o caso de pessoas com câncer de rim e intestino, levando a uma anemia crônica.

Outra causa de anemia, segundo Mauad, é a falta de vitamina B12, seja por falta de ingestão de alimentos que a contenham ou por defeito na absorção da vitamina, conhecida como anemia perniciosa.

Outras vezes, a anemia é causada por um problema hereditário, em que há alteração genética na produção de hemoglobina. Como conseqüência, é fabricada uma hemoglobina alterada, que é logo destruída no sangue. Entre as doenças que podem causar esse problema estão a talassemia e a anemia falciforme.

Em alguns casos, há destruição dos glóbulos vermelhos sem causa aparente, sendo que o próprio corpo começa a destruí-los. É a chamada anemia auto-imune.

Sintomas

Mauad explica que o mais comum é a pessoa apresentar palidez bem evidente nas mucosas, principalmente nas pálpebras dos olhos. Também há fadiga, fraqueza, cansaço fácil ao se exercitar, sensação de tontura, desmaio e falta de ar. Alguns pacientes não têm apetite, o que piora ainda mais a situação. É muito comum o doente se queixar de palpitação, pois o coração bate mais rápido para compensar a falta dos glóbulos vermelhos no sangue.

Tratamento

O tratamento em geral baseia-se na causa da anemia. Quando o problema é falta de ferro, vitamina B12 ou ácido fólico basta suplementar esses elementos na dieta ou através de comprimidos. A absorção de ferro é ainda melhor se for adicionada vitamina C ao tratamento.

Nas anemias severas, pode ser feita transfusão de sangue. Nos casos de anemia auto-imune é possível usar drogas imunosupressoras para melhorar os sintomas.