09 de julho de 2026
JC Criança

Rio Batalha implora por socorro

Roberta Mathias
| Tempo de leitura: 3 min

O grupo percorreu mais de 90 quilômetros do rio Batalha, que possui em toda a sua extensão 167 Km. Apesar do sol intenso, o leito traz um rio cheio, mostrando vontade de viver. Mas o que se observa nem sempre são imagens belas e acolhedoras.

Infelizmente, o rio Batalha sofre diariamente com as ações de predadores, direta e indiretamente. Apesar do trajeto ter sido em uma região onde a destruição da mata ciliar não esteja tão intensa (em Bauru a situação é muito mais grave), foi possível constatar em muitos locais o descaso com o Batalha. Bancos de areia, pastos e até pequenas erosões puderam ser conferidas pelos os alunos.

De acordo com Rodrigo Agostinho, existe um projeto para a recuperação das erosões e o plantio de um milhão de mudas orçado em R$ 1 milhão, que ainda não foi implantado. O Fórum Pró Batalha, o Vidágua e a Aciflora plantaram mais de 300 mil mudas na região do Batalha, mas ainda da é insuficiente. “Pior até que a destruição das matas, pois isso está controlado, é o esgoto despejado no Batalha”, explica.

O município de Agudos, onde nasce o Batalha, não despeja esgoto em suas águas, mas Bauru ainda polui com o esgoto de vários bairros. Avaí faz o tratamento antes de despejá-lo no rio e Reginópolis despeja sem tratamento, mas em pequena quantidade.

Em 2002, o Batalha venceu pelo menos uma batalha. Neste ano foi aprovada a lei municipal de Área de Proteção Ambiental (APA) para toda a bacia do rio. “Isso significa que a área urbana não poderá mais crescer em direção ao rio. Não serão permitidos loteamentos que possam prejudicar as águas do Batalha com esgoto, como vinha ocorrendo”, explica Agostinho, que também é vereador na Câmara Municipal de Bauru.

Sinais de desespero

Apesar do ritmo alegre e descontraído durante a descida do rio Batalha, algumas cenas chamavam para a triste realidade. O grupo pôde ver com seus próprios olhos o corpo de uma capivara ser levado pelas águas do rio. “Provavelmente ela foi vítima de caçadores, pois está mutilada”, comenta um policial da Polícia Ambiental.

Em outro momento, uma grande rede foi retirada do rio, onde havia pelo menos um exemplar de curimbatá morto. “Eles colocam a rede de margem a margem do rio e levam tudo o que puderem. Às vezes fogem e abandonam tudo para trás”, acrescentam.

Eles explicam que infelizmente a prática da caça e da pesca predatória é comum na região. “Já apreendemos muitas armas e caçadores de capivara, paca, quati, cateto até de queixada na região”, explica o PM Ambiental Júlio.

“Alguns chegam a fazer ceva de sal e milho para atrair o animal, ficam sobre a árvore só esperando o momento certo para atacá-lo”, comenta. Espingardas e lanças afiadas são as armas desses predadores, que na maioria das vezes matam por prazer e como demonstração de poder e força. Outros chegam a comercializar o produto da caça, desrespeitando a lei e principalmente o meio ambiente.

Realmente é difícil acreditar que seres humanos ainda sejam capazes de praticar atos tão violentos como esses. Felizmente uma nova geração cresce e com certeza adotará posturas muito diferentes das atuais, calcadas na ética e no respeito à natureza e tudo que dela provem.