O grupo percorreu mais de 90 quilômetros do rio Batalha, que possui em toda a sua extensão 167 Km. Apesar do sol intenso, o leito traz um rio cheio, mostrando vontade de viver. Mas o que se observa nem sempre são imagens belas e acolhedoras.
Infelizmente, o rio Batalha sofre diariamente com as ações de predadores, direta e indiretamente. Apesar do trajeto ter sido em uma região onde a destruição da mata ciliar não esteja tão intensa (em Bauru a situação é muito mais grave), foi possível constatar em muitos locais o descaso com o Batalha. Bancos de areia, pastos e até pequenas erosões puderam ser conferidas pelos os alunos.
De acordo com Rodrigo Agostinho, existe um projeto para a recuperação das erosões e o plantio de um milhão de mudas orçado em R$ 1 milhão, que ainda não foi implantado. O Fórum Pró Batalha, o Vidágua e a Aciflora plantaram mais de 300 mil mudas na região do Batalha, mas ainda da é insuficiente. “Pior até que a destruição das matas, pois isso está controlado, é o esgoto despejado no Batalhaâ€, explica.
O município de Agudos, onde nasce o Batalha, não despeja esgoto em suas águas, mas Bauru ainda polui com o esgoto de vários bairros. Avaí faz o tratamento antes de despejá-lo no rio e Reginópolis despeja sem tratamento, mas em pequena quantidade.
Em 2002, o Batalha venceu pelo menos uma batalha. Neste ano foi aprovada a lei municipal de Área de Proteção Ambiental (APA) para toda a bacia do rio. “Isso significa que a área urbana não poderá mais crescer em direção ao rio. Não serão permitidos loteamentos que possam prejudicar as águas do Batalha com esgoto, como vinha ocorrendoâ€, explica Agostinho, que também é vereador na Câmara Municipal de Bauru.
Sinais de desespero
Apesar do ritmo alegre e descontraído durante a descida do rio Batalha, algumas cenas chamavam para a triste realidade. O grupo pôde ver com seus próprios olhos o corpo de uma capivara ser levado pelas águas do rio. “Provavelmente ela foi vítima de caçadores, pois está mutiladaâ€, comenta um policial da Polícia Ambiental.
Em outro momento, uma grande rede foi retirada do rio, onde havia pelo menos um exemplar de curimbatá morto. “Eles colocam a rede de margem a margem do rio e levam tudo o que puderem. Às vezes fogem e abandonam tudo para trásâ€, acrescentam.
Eles explicam que infelizmente a prática da caça e da pesca predatória é comum na região. “Já apreendemos muitas armas e caçadores de capivara, paca, quati, cateto até de queixada na regiãoâ€, explica o PM Ambiental Júlio.
“Alguns chegam a fazer ceva de sal e milho para atrair o animal, ficam sobre a árvore só esperando o momento certo para atacá-loâ€, comenta. Espingardas e lanças afiadas são as armas desses predadores, que na maioria das vezes matam por prazer e como demonstração de poder e força. Outros chegam a comercializar o produto da caça, desrespeitando a lei e principalmente o meio ambiente.
Realmente é difícil acreditar que seres humanos ainda sejam capazes de praticar atos tão violentos como esses. Felizmente uma nova geração cresce e com certeza adotará posturas muito diferentes das atuais, calcadas na ética e no respeito à natureza e tudo que dela provem.