08 de julho de 2026
Geral

Índios querem explicações sobre mudança na Funai

Ricardo Polettini
| Tempo de leitura: 3 min

Índios Terena, de Araribá - Posto Indígena Kopenoti, em Avaí (SP), querem a presença do administrador regional da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Bauru, Rômulo Siqueira de Sá, na aldeia na próxima terça-feira. Eles exigem que Siqueira de Sá justifique pessoalmente a substituição do chefe do posto da aldeia, que teria sido feita sem comunicação prévia à comunidade indígena.

Em reunião realizada ontem pela manhã, os índios redigiram um documento que será encaminhado, além da Funai, à Procuradoria da República, Ministério Público e Polícia Federal em Bauru. O documento exige a presença do administrador na aldeia na terça-feira às 10h.

Segundo Edenilson Sebastião, o “Chicão”, que foi exonerado da chefia do posto, a exigência foi feita porque o fato gerou um descontentamento muito grande na comunidade indígena. “Isso pode trazer conseqüências negativas, até mesmo conflitos, pois a maioria da comunidade não ficou satisfeita com a saída do chefe”, afirma.

Siqueira de Sá alega que sua atitude teria sido meramente administrativa. Ele disse ainda que os líderes da aldeia e caciques teriam concordado com a substituição de Chicão.

Segundo o administrador, Chicão assumiria um cargo de confiança no escritório da Funai em Bauru, sendo substituído pelo atual detentor da função, Mário de Camilo.

“Eu achava que seria interessante que o Edenilson (Chicão) fosse para o lugar do Mário, que cumpre uma função de assitência da administração, porque ele é um bom articulador. O que me estranha com tudo isso é um interesse dele em permanecer como chefe de posto, pois é uma função aquém da que ele iria assumir”, afirma Siqueira de Sá.

“Toda a liderança está de acordo e ele (Chicão), por interesse próprio, criou essa situação. Ele realmente estava vindo para o lugar do Mário. Hoje, nem isso. Não posso por alguém assim num cargo de confiança”, acrescenta.

Viagem

Siqueira de Sá disse à reportagem que estaria embarcando hoje à Brasília para resolver questões fundiárias. Em razão disso, não poderia ir pessoalmente à aldeia na terça-feira.

“A partir da próxima semana estarei aberto para conversar. Além disso, esse documento (o que exige sua presença na aldeia) foi assinado por 20 pessoas, em uma comunidade de mais de 300 índios”, disse. A reportagem não teve acesso ao documento.

O administrador afirmou também que estava prestes a comparecer na aldeia na última quinta-feira, mas teria sido ameaçado. “Me ligaram e disseram ‘quero ver se você é homem mesmo de ir’. Eu tenho que defender minha integridade física, sou um chefe de família. Então desfiz o compromisso e disse que a reunião seria na Funai”.

Os índios afirmam que, caso Siqueira de Sá não compareça na aldeia na terça-feira, haverá uma manifestação em frente ao escritório da Funai em Bauru na quarta-feira.

O administrador observa que, quanto a isso, os índios estão exercendo o seu direito. “Eles estão no seu direito, estamos numa democracia e isso é altamente legítimo. Em toda minha região administrativa, estão todos satisfeitos. Uma coisa isolada como essa comprometo todo um trabalho”, afirma.

A regional da Funai de Bauru abrange todo o Estado de São Paulo e Rio de Janeiro e parte de Minas Gerais.