09 de julho de 2026
Bairros

Deficientes são os mais prejudicados

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 2 min

Se andar pelas calçadas é um desafio para qualquer pessoa, para os deficientes físicos isso pode significar paralisia absoluta. O descaso com a execução e manutenção dos passeios funciona como um “freio”, principalmente, para os que não enxergam e os que dependem de cadeiras de rodas. Isso significa privá-los de um direito que deveria ser universal: a liberdade de ir e vir.

O coordenador geral do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência (Comude), Francisco Takao Kajino, confirma que a maioria destes deficientes não pode sair de casa sem uma companhia. Os que ousam, correm sérios riscos de cair e terão que contar com a ajuda de estranhos o tempo todo.

“No caso dos que dependem de cadeira de rodas, uma calçada muito inclinada ou uma rampa com declive acentuado, por exemplo, podem nos jogar na sarjeta (a cadeira pende demais para um lado). Se for estreita ou se houver degrau, buraco ou grama (onde a roda pode enroscar), acabou nossa chance de transitar por ali. Então, o cadeirante prefere andar no asfalto, sob o risco de ser atropelado. Mesmo que o asfalto esteja esburacado, pelo menos não é inclinado”, comenta.

Segundo ele, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) determina um percentual máximo aceitável para o rebaixamento das calçadas, de modo que a inclinação delas não impeça a passagem das cadeiras e a lei municipal proíbe degraus e o plantio de grama nos passeios públicos.

“Além de impedir nossa circulação, as calçadas de Bauru, do jeito que estão, estragam as cadeiras de rodas. Elas entortam ou até quebram. Sem contar o tanto que os pneus gastam. Eles ficam totalmente esfolados”, salienta.

Kajino lembra que muito já se falou e discutiu sobre a dificuldade que os portadores de deficiência têm para conquistar um pouco de independência. No entanto, mesmo com leis e regulamentações, falta a conscientização do cidadão, que faz obras pensando unicamente em seu benefício ou aparência do local, esquecendo-se de que os passeios serão usados por uma população inteira.

Sem estabilidade nas calçadas para caminhar, qualquer pessoa pode sofrer acidentes. E isso inclui não só os portadores de deficiência (física e visual), mas também as crianças e idosos, cujo andar é igualmente difícil.